sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Aldeia global

Meu novo artigo semanal:


A revolução tecnológica aproximou as pessoas de tal maneira que os indivíduos percebem que o mundo ficou mais próximo. É como se houvesse sido realizada a profecia de Marshall McLuhan, guru da comunicação dos anos sessenta que vislumbrou o planeta como uma grande aldeia global.

O interessante é que seus adeptos eram, na época, rebeldes contra o sistema, desejavam mudar as sociedades. Talvez não fosse isso que o “profeta” queria dizer com suas ideias e palestras que reuniam multidões.

De fato a sua profecia aconteceu mas não no espírito que hoje nos pretendem vender, porque essa comunidade planetária de cidadãos encontra-se a serviço de uma acumulação financeira jamais vista na História da humanidade.

Primeiro porque essa tal de “aldeia global” não é de cidadãos livres com iguais direitos e deveres. Há uma efetiva hegemonia, mantida a ferro e fogo, especialmente por um império, imposta de todas as formas imagináveis a determinar o que é politicamente correto aos povos do mundo.

A ONG inglesa Oxfam diz que 1% de mega-bilionários detêm 99% da fortuna mundial, uma acumulação da riqueza inédita. Em resumo, da aldeia global gestou-se a globalização não da cidadania mas do capital financeiro, a ditadura feroz do Mercado rentista.

Umbilicalmente associada ao rentismo encontra-se a grande mídia-empresa global, cuja função essencial é o domínio absoluto do discurso sobre os fatos e acontecimentos, desprovida do papel da informação, mesmo que parcial ou de grupos. Cabe a ela declarar diuturnamente a morte das ideologias, com exceção de uma: a ideologia do grande capital, do Mercado financeiro.

Assim, por todos os cantos é o Mercado quem promove os golpes e as “primaveras coloridas” contra as nações que por desejo de autodeterminação pretendem constituir seus próprios caminhos como é o caso do Brasil.

Trata-se de uma governança mundial sob a guarda pretoriana dos EUA, agora em pânico com a eleição presidencial de um bilionário “outsider”, não indicado por Wall Street, totalmente imprevisível.

O ex-presidente dos EUA Franklin Roosevelt afirmava: “ser governado pelo dinheiro organizado é igual ou pior do que ser governado pelo crime organizado”. Mas o mundo vive tempos de resistência e transformações a olhos vistos. O Brasil precisa encontrar seu rumo nesse novo cenário global.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O Mercado

Meu novo artigo semanal:


Apesar de explícita, a olho nu, a crise da Nova Ordem mundial sob a predominância do capital financeirizado de tipo neoliberal, continua a hegemonia das políticas do Mercado sobre as nações e os povos do planeta.

A decadência das diretivas de um brutal processo que impôs, em escala global, um pensamento desprovido de largos horizontes de perspectivas e causas transformadoras para a humanidade reduziu, de maneira ditatorial, as sociedades a um tipo de consumismo desenfreado.

Um consumismo que se mostra para além da satisfação das necessidades básicas das populações, ou mesmo o acesso aos novos instrumentos que a ciência e a tecnologia põem a serviço do bem estar dos indivíduos quer seja como ferramentas de trabalho ou de lazer, conquistas extremamente positivas ao desenvolvimento social ou individual.

Sem projetos ou causas pluralistas que galvanizem a reflexão a sociedade do século XXI vê-se reduzida a uma incessante procura de objetos mercadorias em permanente transformação, onde uma nova versão de um celular substitui velozmente a anterior, de tal forma que a mercadoria vira referência absoluta e aspiração de modo de vida às grandes multidões pelos quatro cantos da Terra, com óbvias exceções.

Não sem motivo atualmente crescem os transtornos psíquicos coletivos, sem que deles se tenha consciência, em um quadro geral de desertificação das ideias que impulsionam a consciência coletiva e individual dos cidadãos e cidadãs.

A espiritualidade, as causas universais, das nações, são combatidas aberta ou obliquamente, através da grande mídia empresa associada ao Mercado. De tal forma que o sentimento de pertencimento a uma comunidade ou povo é substituído por uma espécie de tribalismo do novo milênio, como uma busca fragmentada de renovadas identidades onde as pessoas buscam ser assimiladas.

A mercadoria passa a ser um deus, o princípio e o fim das coisas enquanto o Mercado financeiro exerce brutal domínio concentrando a renda, promovendo guerras, desigualdades globais, fomentando “diálogo entre mediocridades”.

E por tudo isso, além das guerras de rapina, crises econômicas, sociais estruturais, está em curso uma revolta objetiva contra a Nova Ordem mundial danosa. Mas será na reflexão de outro rumo real e palpável que a humanidade irá superar essa idade média pós moderna.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O povo brasileiro

Meu novo artigo semanal:


Como reflexo da crise do capitalismo financeiro que repercutiu com força no País e em decorrência da grave instabilidade dos poderes da República, especialmente após a destituição da presidente Dilma, a realidade nacional é um processo de desencontros.

Na verdade é perfeitamente constatável que a nação vive uma encruzilhada Histórica que já vinha se gestando há anos.

A geopolítica mundial vem passando, nos últimos anos, por um intenso processo de transformações. De um cenário de hegemonia unipolar norte-americana, desde o fim da guerra fria, para se transformar, com velocidade não prevista, em um outro contexto geopolítico multipolar. Daí é possível constatar que a realidade é muito mais criativa e dinâmica que os estudos e as previsões acadêmicas.

Esses dois elementos, a crise do capitalismo neoliberal somada às grandes transformações no tabuleiro de xadrez internacional, ocorrem de maneira turbulenta, não pacífica, como sempre aconteceu nos grandes movimentos da História. Não seria diferente hoje.

O Brasil, como grande nação continental, com riquezas naturais abundantes, liderança no hemisfério sul, grande população, é alvo de intensa disputa pelas grandes potências, especialmente os EUA, além da ação predadora do Mercado.

Esse Mercado financeiro rentista tem como associada a grande mídia-empresa que age no País ditando a agenda política e a interpretação dos fatos.

Age como alter ego dos interesses das grandes corporações financeiras ao tempo que busca passar a imagem de prestadora de serviços à população. Esse é um processo que vem se consolidando há décadas.

Os objetivos dessas forças têm sido quebrar a vontade nacional, a desconstrução do Estado Nação, a captura das imensas riquezas do País, sustar qualquer tentativa de protagonismo do Brasil na diplomacia internacional.

Para tanto é fundamental por em prática, como está acontecendo, a “política do choque” já aplicada, com êxitos e fracassos, em outros Países, o que significa ação fulminante, deixando a sociedade perplexa, fragmentada, para que se possam alcançar os objetivos do neoliberalismo financeiro.

O Brasil vive momentos graves. Mas aqui vem se forjando uma civilização singular nos trópicos que já passou por outros momentos dramáticos e conseguiu superá-los com muita luta. Não será diferente agora.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A rota da soberania

Meu novo artigo semanal:


No contrafluxo da situação geopolítica mundial o Brasil vive uma realidade lastimável onde as instituições da República encontram-se à deriva e que assumiu enorme dimensão notadamente após a destituição da presidente Dilma.

Distinto do contexto internacional onde a Nova Ordem mundial vem sofrendo evidentes sinais de decadência com a derrota em vários cenários: militar, eleitoral, diplomático, surgindo sinais de transformação a outra Ordem multipolar, o País é alvo de movimentos externos, internos com o objetivo de impedir seu protagonismo geopolítico, fomentar o desequilíbrio institucional, a fragmentação da sociedade nacional.

As insurgências fabricadas em laboratório conhecidas como “primaveras árabes” têm sido utilizadas no Brasil desde 2013 e vêm num crescendo com a participação da grande mídia monopolista que capturou, já faz algum tempo, a informação, a notícia, interpretação dos fatos e especialmente o destino político da nação. Viceja a intimidação, a chantagem, os desabridos interesses antinacionais.

Sem uma unidade social em torno do rumo nacional, imerso em grave crise econômica interna, mergulhado em uma séria anomia institucional, o Brasil chafurda em uma das mais graves crises da sua História enquanto nação independente e soberana.

Onde é evidente a falência da chamada Nova República erigida em 1985. É nesse sentido que fica cristalina a necessidade da constituição de um amplo pacto social e político, de um novo projeto econômico, social em defesa do desenvolvimento nacional, da integridade e soberania do País.

O quadro é tão dramático que os prazos, os recursos, as possíveis saídas vão rapidamente se esgotando e as alternativas à dantesca crise vão rareando, enquanto a economia vai afundando a olhos vistos com a nação cada vez mais à mercê do cassino financeiro global.

Nesse contexto a grande mídia associada ao capital financeiro e aos interesses imperiais, especialmente norte-americanos, faz o seu trabalho de produzir tempestades de ódios gerais, verdadeira máquina de promoção de dissensos, manipulação de agendas sociais, cresce cada vez mais o domínio econômico e político do capital rentista no País.

Só a rota da soberania nacional pode unificar o povo brasileiro em torno de novos rumos de desenvolvimento, em defesa da autodeterminação do País.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Agenda pesada

Meu novo artigo semanal:


Muitos têm falado que 2016 continuará ainda por um bom tempo e deverá ocupar a agenda dos próximos anos.

De fato é uma possibilidade plausível tendo em conta que os fenômenos gerais que incidem hegemonicamente sobre o País têm origens, razões, objetivos determinados, partindo de interesses em escala global, gerando vários outros acontecimentos como danos colaterais.

Nunca é demais repetir que a nação sofre os impactos da mais dramática crise capitalista global desde o crash de 1929. E em consequência há graves rachaduras nas estruturas da Nova Ordem mundial, gerando desdobramentos diferenciados pelos continentes.

A interpretação desses fatos não tem sido fácil para nós simples mortais, submetidos há anos e diariamente a um inédito, na História, processo de uniformização da informação e interpretações dos fatos, o famoso “para entender” isso ou aquilo, que nos são jogados na cara diariamente, com o objetivo de sustar qualquer consciência crítica das suas origens, seus desdobramentos.

A alienação da realidade objetiva cabe à grande mídia-empresa global, associada ao Mercado financeiro mundial, instrumento imprescindível ao exercício de um processo de dominação das sociedades, dos povos, inigualável na História contemporânea, onde a mídia hegemônica já não mais informa, mesmo a informação parcial ou de grupos. Ela dita qual é a realidade conveniente ao capital rentista, à Nova Ordem mundial.

Se questionarmos a quem interessa o exercício desse inédito, em termos Históricos, processo de constituição da ditadura do pensamento único, é certa a resposta pela constatação de que hoje 99% da riqueza global encontra-se nas mãos de 1% dos habitantes do planeta, segundo a insuspeita ONG britânica Oxfam, com base em dados do banco Crédit Suisse.

Quanto ao Brasil o golpe fatiado em curso está associado a esse cenário global com vistas: à entrega do pré-sal às multinacionais, privatização das estatais, a reforma da previdência, abertura do mercado da construção civil a empresas internacionais do ramo, prioridade ao pagamento dos juros da dívida pública, desindustrialização interna, fim dos programas nuclear e espacial brasileiros, afastamento do Brasil em relação aos BRICS etc.

Portanto, será renhida a luta em defesa da democracia, dos direitos sociais, da soberania nacional.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O tempo e o pacto

Meu novo artigo semanal:


A crise nacional anda numa velocidade em que os fatos são ultrapassados no mesmo dia por outros ainda mais danosos numa escala progressiva.

A tormenta institucional tem duas vertentes óbvias que se imbricam: a política e a econômica.

Com o golpe de 2015 que depôs a presidente Dilma a nação constata que apesar da redemocratização em 1985 ainda há na cultura política brasileira uma tendência autoritária que se evidencia no fato que vinte e oito anos após a promulgação da Carta Constitucional de 1988 só dois presidentes da República concluíram seus mandatos.

A metade dos presidentes eleitos no mesmo período foi deposta. Ao longo dos vinte e oito anos pós-Constituinte os argumentos utilizados para depor os presidentes eleitos, e até seus substitutos, foram por razões com forte teor de ideologismo, como sucedeu com a presidente Dilma.

Os impeachments, e até as tentativas não concretizadas, ao longo da Nova República foram encetados em defesa da moralidade mas as razões centrais residem na elementar luta pelo poder, sem compromissos com o pacto Constitucional, sob o comando da grande mídia empresa associada ao Mercado rentista.

A ideia de que “o povo bota, o povo tira” é absolutamente válida nos regimes de plena democracia, desde que observada a Constituição, a soberania das urnas. Fora disso é golpe.

No plano econômico tem sido raso o esforço em prol dos objetivos da centralidade dos interesses nacionais, que se expresse em projetos que possam alavancar o conjunto da economia brasileira, o reforço do papel estratégico do Estado como indutor na construção de percursos de largo tempo e espaço.

Ao contrário promove-se hoje, sob violenta ofensiva neoliberal, o congelamento dos gastos públicos por 20 anos, uma condenação ao crescimento do País, a famigerada reforma da Previdência que amputa mortalmente os direitos dos assalariados, suas aposentadorias. Pela acumulação dos lucros do Mercado tudo, ao povo e à nação, ZERO.

Está certo André Araújo: não é possível um País com a complexidade do Brasil em inédita e rara recessão (no planeta), onde pessoas que comandam a economia não estão à sua altura, muito menos têm a legitimidade, frente aos imensos desafios que estão no horizonte.

Urge a formação de ampla frente em prol da reconstrução nacional, da economia, pela democracia.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Cenário trágico

Meu novo artigo semanal:


As medidas de arrocho, ajustes fiscais, precarização dos direitos trabalhistas, redução do Estado, privatização de setores estratégicos, compõem o eixo das iniciativas contrárias aos interesses do Brasil.

A crise capitalista que já adquiriu nova fase em 2008 com o estouro das bolhas do Mercado imobiliário nos Estados Unidos, jogou a economia mundial na debacle que vivenciamos.

Assim o que está em curso é a crise das políticas da Nova Ordem mundial impostas aos povos e nações depois da extinção da União Soviética, o surgimento da hegemonia unipolar dos Estados Unidos, guarda pretoriana do “Mercado” global.

Nesse tempo os EUA, a globalização financeira, deitaram e rolaram. Apesar da crise financeira garroteando os Países foram adotadas brutais medidas de impacto econômico, social contra os povos.

Algumas nações buscaram adaptar-se às novas condições da hegemonia econômica, militar global, com formas de sobrevivência sem abdicar da soberania econômica, territorial, cultural, política. E conseguiram se desenvolver de uma forma ou de outra. Podemos citar a China, Rússia, etc.

Enquanto a Nova Ordem exercia intensa exploração financeira, apoiada pelos EUA, escamoteava as razões centrais da brutal crise que viviam as nações. Em seu lugar impôs agendas globais diversionistas através da grande mídia empresa, associada ao “Mercado”.

Mas a crise econômico-financeira está cobrando a fatura, chegou ao nível do insuportável, e os povos estão se rebelando, exigindo seus diretos.

O Brasil conseguiu adiar essa crise até 2011 em função da grande procura de produtos primários dos quais o país é celeiro, mas não adotou medidas estratégicas de desenvolvimento em infraestrutura, tecnologia, forte industrialização, adequadas às suas peculiaridades. Persistiu na senda da economia via consumo.

O golpe em curso, chamado corretamente de “golpe fatiado”, obedece a várias etapas. Busca anular o sentimento nacional, democrático, impor as políticas extremadas do Mercado financeiro, a capitulação da nação, do povo brasileiro.

O cenário de paralisia econômica, desemprego é grave. As ameaças contra o País e a sociedade são concretas. Só um amplo pacto nacional e democrático com intensa mobilização social em defesa da reconstrução do País pode reverter o quadro trágico em que se encontra o Brasil.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Golpe fatiado, por Luciano Siqueira

Publicado no blog de Luciano Siqueira:


O golpe segue — cumprindo cada etapa quase que com precisão cirúrgica.

Primeiro, tratava-se de afastar a presidenta Dilma definitivamente e interromper as transformações que se operavam no país desde 2003, quando se iniciou o primeiro governo Lula.

Uma vez ocupado o governo central por Michel Temer e sua corja, iniciou-se a segunda fase: o ajuste fiscal rigoroso, recessivo e prejudicial à grande maioria da população; e acelerar o desmonte das políticas públicas, conquistas sociais e direitos, ao modelo neoliberal praticado na Zona do Euro, sob o comando do grande capital financeiro internacional.

É o que está em andamento, porém de modo atabalhoado, proporcional à incompetência e ao desmantelo de Temer e seu grupo. Soma-se a desqualificação do grupo palaciano, tipicamente mergulhado no que há de pior na política.

Em seis meses, um número recorde de ministros caiu - seis - por questões éticas.

Agora, desenha-se uma nova fase, que consiste em empurrar Temer ao fundo do poço e a partir do início do ano que vem, quem sabe, afastá-lo também do poder, gerando as condições para uma eleição indireta via Congresso Nacional — vale dizer, escolher um tucano presidente da República com a tarefa de fazer todo o trabalho necessário para que em 2018 possa se eleger novamente um tucano.

Certamente está aí a explicação da abordagem da Rede Globo e outros gigantes da grande mídia nitidamente desfavorável a Temer e as insinuações de Fernando Henrique Cardoso, que parece se apresentar para um hipotético mandato tampão de dois anos.

Desenhado o esquema, nada indica que as coisas acontecerão pacificamente. Contradições e conflitos de interesses marcarão o processo nas hostes governistas. Nem o PMDB entregará de graça o poder conquistado por via transversa, nem o baixo clero da Câmara e do Senado venderá por pouco seus votos numa eleição indireta.

Às oposições cabe intensificar a resistência e cuidar de uma ampla articulação de caráter frentista em torno de uma agenda de luta contra o retrocesso e em favor do desenvolvimento com inclusão social. E defender eleições diretas para presidente, no desdobramento de uma possível queda de Temer, como alternativa democrática de enfrentamento da crise.

sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel Castro



Faleceu nas primeiras horas deste sábado a última grande personalidade que veio do século XX, Fidel Castro. O respeito em todo o mundo e a admiração por esse revolucionário irá sobrepor, em muito, toda carga de ódio que a grande mídia sempre descarregou sobre um só homem.

Porque Fidel sempre foi uma referência e uma prova das grandes utopias realizáveis ao longo de toda sua vida.

Fidel, além de ser revolucionário era um grande patriota. Amava profundamente Cuba. Por isso a sua consigna: Pátria Livre ou Morte. Tudo o que hoje o “Mercado” condena: construir o futuro humano de maneira desinteressada e a luta patriótica dos povos em defesa da sua autodeterminação.

Ao capital financeiro e à Nova Ordem mundial só vale o presente contínuo, a renegação dos sonhos possíveis e o entreguismo deslavado como razão de existir. Ou seja, desejam constituir gerações de autômatos, meramente consumistas.

Fidel vivenciou a época das grandes lutas de libertação nacional e social, participou como resistente dos combates contra a Nova Ordem mundial desde 1989. E nunca foi derrotado. Sofreu quase um milhar de tentativas de assassinatos orquestrados pela CIA, inclusive de envenenamentos. Afinal ninguém enfrenta, como ele enfrentou, o grande império do Norte durante 57 anos impunemente. Ele e Cuba.

Fidel era amigo de outro indomável latino-americano, Gabriel Garcia Márquez, prêmio Nobel de literatura, brilhante autor de vários livros e crônicas, entre eles Cem Anos de Solidão, inventor de um estilo literário saboroso e inigualável: o realismo mágico ou fantástico. Sempre pareceu-me que Fidel e Cuba eram personagens saídas da escrita de Gabriel Garcia Márquez, fantasticamente realistas.

Cuba que antes da revolução era conhecida como um “bordel flutuante” onde a máfia, políticos e líderes norte-americanos iam para se divertir, acender charutos com notas de cem dólares, transformou-se em uma ilha de resistência indômita contra os interesses da grande potência do planeta. E no centro de tudo isso estava Fidel Castro. Tal enredo parece mesmo um conto ou um livro de Gabriel Garcia Márquez.

Falem o que quiserem, como escreve e difama a grande mídia monopolista e seus articulistas. Fidel, assim como os livros de Gabriel Garcia Márquez, estarão sempre presentes. E eles, bom, eles passarão incólumes na memória e referência dos povos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O profeta nu

Meu novo artigo semanal:


Após a queda da União Soviética, a hegemonia unipolar dos EUA, a adoção do dólar como moeda padrão, o Mercado financeiro passou a exercer o domínio global com suas políticas e agendas para as sociedades.

Nesse tempo surgiu Francis Fukuyama um nipo-americano, então um obscuro professor universitário. Suas teses foram divulgadas em escala mundial pelo Departamento de Estado dos EUA.

Suas concepções baseiam-se na supremacia do neoliberalismo econômico, inspirado por Friedrich Hayek, filósofo, economista austríaco pai do liberalismo moderno.

Fukuyama inventou a farsa do Fim da História com base na desregulamentação dos fluxos do capital financeiro, do rentismo louco. Afirmou que o mundo estava diante da paz definitiva, prosperidade econômica e social contínuas.

Mas o mundo nunca presenciou tantas guerras de agressão, genocídios, destruição de povos, nações. Ondas de milhões de refugiados, vítimas das intervenções imperiais na África, Oriente Médio, vagando pelos “corredores europeus para refugiados”, afogados aos milhares nos mares da Europa.

Em 2015 entidades internacionais anunciaram que pela primeira vez a fortuna dos 1% mais ricos superou a renda de 99% da população da Terra.

O “profeta” Fukuyama está nu. Mas insiste no Financial Times em suas concepções, porém acha que foram atingidas em cheio pela crise do “Mercado” em 2008.

Afirma que “a social democracia já havia aceitado há duas décadas o neoliberalismo reformista mas que errou em não indicar soluções econômicas (dentro da Nova Ordem, óbvio) aos trabalhadores, restringindo-se às políticas de identidades”.

Diz cinicamente que “a parte democrática das populações está se sublevando contra a parte liberal do sistema, sua legitimidade e regras”. O seu reacionarismo é contra outra ordem global multilateral com a China, Rússia, o Brasil etc.

Alerta o grande capital que há uma revolta dos povos contra a globalização do rentismo, que ele chama onda de “populismo” e “nacionalismo”: “a elite (financeira) deve atentar às vozes raivosas que gritam diante dos portões”.

Fukuyama, pessimista, vê o Outono da Nova Ordem mundial. É a mesma linha da grande mídia nativa monopolista. Cabe aos povos encontrar caminhos de superação a essa globalização financeira adversa à democracia, às conquistas trabalhistas, a soberania das nações.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Luciano Siqueira: Drama brasileiro inserido na crise mundial

Artigo de Luciano Siqueira, publicado em seu blog:


Olhar apenas a parte e subestimar ou desconhecer o todo – essa expressão comum da análise distorcida da realidade – é elemento presente na narrativa dos que promoveram o impeachment e persiste em meio aos crescentes embaraços do governo Temer diante da impossibilidade de entregar o que prometeu.

Antes, todas as agruras da economia brasileira decorriam supostamente de erros da presidenta Dilma e do seu governo, então submetido a uma análise unilateral, superficial e tendenciosa. Quase nenhuma palavra sobre a crise global na qual o Brasil estava e continua inserido.

Agora, uma cantilena que tem como alvo políticas sociais básicas e distributivas, apontadas como causa exclusiva do desequilíbrio das contas públicas, oculta a sangria da poupança nacional decorrente de juros estratosféricos da dívida pública, que de 2003 até hoje, se traduz numa transferência de R$ 3 trilhões (em valores atualizados) aos bancos privados!

Quando até o ex-presidente do Banco Central no governo FHC Armínio Fraga, um dos arautos do figurino neoliberal e porta-voz credenciado do mercado financeiro, já reconhece de público sua frustração diante dos atrapalhados seis meses de governo Temer, as coisas não vão nada bem.

Vão muito mal. Não apenas pela incompetência de Temer e seu grupo, mais ainda porque a crise brasileira é parte indissociável da crise global, ainda que tenhamos cá nossas peculiaridades.

E evolui num contexto mundial – como bem assinala em artigo recente o presidente da Fundação Maurício Grabois, Renato Rabelo – onde se destacam três tendências fundamentais: “1) Decomposição estrutural relativa da hegemonia unipolar dos Estados Unidos, com crescente multipolarização do sistema de relações internacionais e a emergência de novos pólos de poder, que não compunham o núcleo central; 2) Grande crise sistêmica do capitalismo, desde 2008, mais profunda do que a de 1929, ainda sem superação à vista, prevendo-se ainda longo período de incertezas; 3) Crescimento gigantesco das forças produtivas, a serviço de sociedades cada vez mais desiguais, culminando na denominada Indústria 4.0, ou a ‘quarta revolução industrial’.”

As falas de Temer e do ministro Henrique Meirelles, dias atrás, no reformado (para dar larga predominância às forças do “mercado”) Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, são uma mostra eloquente de uma dupla de mediocridade dos atuais governantes: a miopia diante da gravidade dos fenômenos que incidem sobre a nossa economia; e o compromisso quase que exclusivo com o sistema financeiro.

Aos bancos e aos senhores da usura, tudo! Às alternativas antirecessivas e às políticas sociais compensatórias e inclusivas, nada!

Assim, não demorará muito o Brasil poderá se converter numa Grécia sul americana.