quarta-feira, 24 de maio de 2017

O triunfo da emoção

Meu novo artigo semanal:


A crise brasileira já atingiu as raias do paroxismo. Ela não foi deflagrada agora, veio à tona em 2013 com as manifestações de rua, como tempestades de ansiedades difusas cobertas ao vivo por essa grande mídia global hegemônica que dá o tom da atual aventura autoritária.

E que foram denunciadas depois pelo ex-agente da NSA, serviço de espionagem dos EUA, Edward Snowden, como uma edição tupiniquim das “primaveras árabes” que desestabilizaram nações na região pautadas por interesses norte-americanos.

Mas quem se encontra por trás de todos os fatos desencadeados é um consórcio, que envolve além das estratégias hegemônicas dos EUA no Brasil, o monopólio midiático global.

A grande mídia, arquiteta das interpretações escatológicas da vida brasileira, ligada aos interesses do rentismo, associou-se a corporações que cresceram nos últimos anos graças à prática dum tipo de um falso republicanismo onde prevalece o esquartejamento do Estado, que se sobrepõe aos interesses estratégicos da nação.

E motivações explícitas vendem a ideia através do monopólio midiático, que o mal do País é a democracia, via campanha sistemática, de lavagem cerebral e fulminante contra a política.

Assim a democracia parlamentar, e todos os partidos, sem exceção, seriam o tumor maligno do País. Para isso contam com o concurso das forças retrógradas e grupos ultristas de vários matizes que soprados pela grande mídia dão o tom nas redes sociais.

É a tempestade perfeita: a atividade política seria então uma universidade de criminosos a ser extirpada da vida social, substituída pelo Mercado rentista, consórcios aliados e, no poder, um “insuspeito apolítico”.

A nação movida a surtos psicóticos de ódio é refém da máxima de propaganda explicitada no filme da cineasta Leni Riefenstahl, predileta do nazismo hitlerista, O Triunfo da Vontade: “a emoção deve se sobrepor à razão”.

Urge o esforço de amplas forças políticas num pacto que defenda o que ainda resta do Estado de Direito além da luta em defesa dos interesses nacionais, da soberania do País, solapados à luz do dia.

Com a nação à deriva impõem-se soluções democráticas e patrióticas, sem aventureirismos particularistas. O Brasil está à beira do precipício. Ou será o primado da vida democrática ou o triunfo fascista da emoção sobre a lucidez da razão.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O retorno à demência

Meu novo artigo semanal:


Mudaram as formas de comunicação através da revolução tecnológica mas, paradoxalmente, regredimos aos parâmetros políticos, sociais, institucionais, de décadas atrás. Na aparência a civilização atingiu novos patamares, mais sofisticados e civilizados. Mas só nas aparências.

O capital financeiro mundial passou a ditar como nunca os destinos dos povos e das nações.

A Europa encontra-se em grave crise onde é abundante a desorientação geral, o recurso à violência, o desemprego, a perda das Históricas conquistas trabalhistas dos cidadãos. Por lá continuam as vagas intermináveis de refugiados, vítimas da destruição de seus Países por meio das guerras, que não são provocadas por eles, mas fruto de intervenções das grandes potências em busca de riquezas naturais, que lhes pertencem, em seus territórios.

O terrorismo que assola a Europa é consequência de uma gama de fatores malignos e não por geração espontânea, brotada do nada ou como pretendem alguns: um choque de civilizações distintas.

A desertificação de Países, alguns de cultura milenar, em consequência dos saques de riquezas naturais ou motivos geomilitares estratégicos, explica a tragédia europeia e dos povos do Oriente Médio. O Papa Francisco tem sido uma voz lúcida na denúncia dessa diáspora criminosa.

Tudo isso em parceria com a grande mídia que já não é mais informativa, mesmo que parcial, é um verdadeiro condutor de propaganda do capital rentista e da desinformação dos povos.

A desorientação tem sido, quase, geral, onde forças políticas procuram algum sentido no caos, tal qual o demente Nero fazendo poesia com o incêndio de Roma por ele provocado.

Aqui, as coisas não são diferentes com o ilegítimo, interino presidente Michel Temer, que lembra o ator de filmes de terror Boris Karloff, com seus gestos manuais desconexos e a única coisa que o segura no poder: promover as reformas antinacionais, antipopulares, ao gosto da grande mídia, do Mercado financeiro.

Enquanto essa grande mídia impõe a agenda pós-moderna, corporativa, macarthista, politicamente correta, da pós-verdade, o brasileiro tem seus direitos elementares ameaçados, o País subtraído no papel de grande nação solidária no cenário internacional. Urge um projeto nacional, que una as grandes maiorias, e um novo rumo de desenvolvimento para o Brasil.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

O grande órfão

Meu novo artigo semanal:


Rejeitado por 96% da população brasileira, o ilegítimo presidente interino Michel Temer continua na senda da sua única função, aprovar as reformas antinacionais e antipopulares no País.

O seu governo desastrado possui a condescendência e cumplicidade da grande mídia hegemônica nativa, uma das principais promotoras do Estado de Exceção que vivemos.

De tal maneira que desde algum tempo o Brasil é um País absolutamente à deriva, sem norte, sul, leste ou oeste.

Sem dúvida, essa é uma das maiores, senão a maior, crise política e institucional da nossa História. Que acontece no momento em que a nação alcançou o protagonismo como 7a economia mundial. Mas nada é por acaso.

Desde 2013 o País tem sido vítima de tempestades difusas, onde as redes sociais são usadas, a exemplo das famosas primaveras árabes, para a desestabilização do tecido social, fartamente denunciadas por Edward Snowden, ex-agente dos serviços de inteligência dos EUA.

O Brasil tem sido alvo preferencial do capital financeiro que compõe a chamada Governança Mundial, com as chamadas reformas previdenciária e trabalhista, quanto ao desmonte do parque industrial, agrícola, além das indústrias estratégicas de Defesa nacional.

Entre os objetivos do Mercado financeiro, das grandes potências, está a tentativa de impedir que a nação brasileira continue a ser um dos grandes protagonistas na emergência da nova ordem mundial multipolar.

Nesse sentido, tudo transformou-se em instrumento de desestabilização de qualquer forma de projeto nacional, com as instituições da República absolutamente sem rumo, numa visão corporativa das suas funções, destituídas assim de um caminho nacional.

Envolvida em uma discussão dicotômica, a política brasileira vê-se envolta num labirinto kafkaniano, em um processo propositalmente atabalhoado, onde não existe o sentido da identidade nacional que possibilite a união das grandes maiorias em torno de um projeto de desenvolvimento democrático estratégico do País.

Esse desnorteamento, a ausência de caminhos, é que faz com que o Brasil seja, por enquanto, o grande órfão global. Cabe aos segmentos progressistas, democráticos e patrióticos a reversão dessa desorientação proposital, no sentido de retomar o sentido Histórico de nação desenvolvida e solidária, que é o seu destino de grande País.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A crise nacional

Meu novo artigo semanal:


A atual crise nacional possui múltiplas faces, política, econômica, social, institucional. Mas em todos esses aspectos encontra-se presente um elemento importante: a ausência de perspectivas em relação ao quadro em que nos encontramos.

A gravidade do cenário brasileiro combina elementos conjunturais e outros de natureza estrutural, indicando que um determinado ciclo está chegando ao fim, ou já se esgotou completamente.

Qualquer tentativa de saída desse imbróglio e que não tenha como pressuposto a centralidade dos interesses nacionais, ou está fadada ao fracasso ou, então, é o aprofundamento da política de subalternidade econômica, diplomática, geopolítica que nos foi imposta.

O ilegítimo governo de Temer, um dos mais impopulares de toda a História do País, com 96% de rejeição segundo vários institutos de pesquisa, é sabido por todos nunca foi em momento algum protagonista de coisa alguma, trata-se de figura menor, bizarra, de um golpe orquestrado contra a democracia, os interesses nacionais e os Históricos direitos dos assalariados brasileiros.

Seu único papel é conduzir as reformas antinacionais e antissociais como a Trabalhista, a da Previdência e outras iniciativas de caráter entreguista do patrimônio nacional como a Petrobrás etc.

Trata-se de governo servil aos ditames do Mercado financeiro, acumpliciado e ao mesmo tempo refém da grande mídia hegemônica nativa. Esta sim, uma articuladora de peso no golpe em curso no País como de resto tem sido a sua trajetória ao longo de décadas na vida política nacional.

Esse contexto golpista de retrocessos democráticos, econômicos e sociais dá-se em meio ao aprofundamento de uma crise financeira internacional e no País provocando a recessão e o desemprego em níveis já escancarados.

O golpe só poderia ter acontecido num cenário de profunda instabilidade dos fundamentos econômicos, sem o que seria impossível plantar uma crise política de tal magnitude no Brasil.

É vital a constituição, através da política, de ampla frente democrática, patriótica de reconstrução nacional. É de Albert Einstein a opinião: nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo estado de consciência que o criou. Para encontrar novas respostas é necessário aprender a ver o mundo de uma maneira nova. Assim é fundamental encontrar outro rumo para o País.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Questão de Grandeza

Meu novo artigo semanal:


Sejam quais forem as dimensões das manifestações de rua nesta sexta-feira, decorrentes da greve geral convocada pelos sindicatos e organizações populares contra as reformas do governo Temer, muito especialmente a trabalhista e a da Previdência Social, uma coisa é certa, ela já está sendo profundamente vitoriosa.

Primeiro porque tratam-se de conquistas sociais Históricas, várias delas adquiridas desde a revolução de 1930 nos governos de Getúlio Vargas, e apesar de agredidas em governos de feição neoliberal, como o de Fernando Henrique Cardoso, através de reformas inspiradas pelos interesses do Mercado financeiro, persistem ainda os fundamentos essenciais dos direitos dos assalariados do País.

Segundo, e em decorrência, a greve geral tem o apoio da mais ampla e esmagadora maioria da população brasileira, que repudia a tentativa real e concreta de surrupiarem, de forma escancarada e à luz do dia, os seus direitos sociais mais elementares.

Terceiro porque a luta contra as reformas antipopulares do ilegítimo governo de Michel Temer possui um apoio maciço proporcional à espetacular rejeição ao seu governo, ou seja, mais de 96% da população.

E de nada adianta o apoio a essas reformas grotescas da parte do primeiro-ministro da Espanha Mariano Rajoy, dizendo que foram feitas reformas iguais por lá e que foram um sucesso.

Não para o povo espanhol, que amarga uma taxa de desemprego brutal onde mais de 40% da população jovem com idade de trabalho encontra-se desempregada, além de sofrer tremendas perdas em conquistas do Estado social desmantelado na Espanha.

Situação igual está sendo preparada aos franceses. Articularam um candidato bem vestido e jovem, Macron, construíram para ele um partido político, um cenário eleitoral ideal e desejam presenteá-lo com o poder. Trata-se porém de um legítimo banqueiro, candidato dos banqueiros e do Mercado financeiro.

Já o ilegítimo Temer é igualmente um representante do Mercado rentista e da grande mídia associada aos financistas. Sua única tarefa é conduzir as reformas antinacionais e antipopulares.

Assim é preciso canalizar a insatisfação ao governo Temer na articulação de uma ampla frente democrática e patriótica em defesa da nação e do povo brasileiro. Esse é o desafio, o tamanho da Grandeza que se impõe à luta política em curso.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Tempus fugit

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A prolongada crise nacional vai atingindo múltiplos aspectos da sociedade brasileira e nada indica que nesse rumo, ou na absoluta falta dele, as coisas vão chegar a um bom termo.

No plano econômico, mesmo com o denodado esforço da grande mídia hegemônica, a contínua queda dos indicadores econômicos aponta no sentido do agravamento da recessão, aumento galopante do desemprego, além do processo estrutural da desindustrialização do País.

No aspecto institucional, o que se observa é a afirmação de uma espécie de novo tipo de fascismo adequado às características e exigências do Mercado financeiro, e das oportunidades que usufruem as grandes empresas estrangeiras com o desmonte do parque produtivo nacional, estatal e privado.

No campo social são evidentes as ameaças, e concretizações destas, às Históricas conquistas trabalhistas adquiridas desde a revolução de 1930. De outro lado, tramitam no Congresso Nacional projetos que ameaçam a soberania e integridade nacional, como a venda criminosa de terras a grandes grupos estrangeiros, incluindo a Amazônia brasileira.

A nação já não vive um clima de legalidade democrática, encontra-se sob um verdadeiro Estado de Exceção, onde o poder executivo, a presidência da República, vítima de golpe de mão, não representa qualquer segmento da sociedade nacional, salvo os interesses do capital rentista, da mídia golpista e de aventureiros de ocasião cujos anseios estão a anos luz da grandeza que a nação exige.

O Congresso Nacional, salvo louváveis exceções já conhecidas, vai à deriva, abatido por si próprio tanto como pelos ataques cirúrgicos da grande mídia hegemônica, uma das protagonistas do golpe de Estado.

O açoitamento da política, caminho da participação social nos rumos do País, tem sido uma constante por essa mesma grande mídia hegemônica, que é recorrente na prática de arranjos autoritários para o País, como nos tempos atuais.

Por isso, tempus fugit: o tempo voa para que os democratas, patriotas e progressistas constituam um amplo pacto político, com intensa participação de variadas camadas sociais, que enseje a reconstrução nacional, a integridade do País, assegure os direitos trabalhistas dos cidadãos, aponte um novo rumo para a economia e o desenvolvimento, antes que alguma figura delirante empalme os destinos do Brasil.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O novo século

Meu novo artigo semanal:


O que acontece atualmente com o Brasil, com o golpe de Estado que entronizou no poder Michel Temer, é reflexo direto de uma encarniçada batalha geopolítica em curso.

O País é a 7a economia mundial e não chegou a tal escala de crescimento através de geração espontânea, como a falsa teoria de Lamarck, mas graças à condição peculiar de nação continental, detentora de múltiplas riquezas naturais como o petróleo, além de várias outras estratégicas como o Nióbio etc.

Possui imensa riqueza em águas, como a reserva aquífera da Amazônia, a maior do mundo. Uma situação geopolítica que o define, junto com suas dimensões geográficas, como um dos principais atores no atual tabuleiro de xadrez da arquitetura mundial.

Na verdade, há várias décadas o Brasil deixou de ser o País do futuro, definido pelo escritor austríaco Stefan Zweig, que aqui se exilou fugindo do nazismo na Europa.

Após a 2a Guerra Mundial a nação passou a trilhar, com idas e vindas, avanços e retrocessos, um protagonismo crescente, adquiriu sofisticada estrutura com quadros nos mais diversos estamentos do aparato estatal.

A economia brasileira foi atingindo, apesar dos percalços, a dimensão atual, e o caminho do desenvolvimento nacional mesclou a associação dos setores público e privado, característico dos Países em desenvolvimento.

No século XX, o século norte-americano, o Brasil não só sobreviveu às agruras da ação intervencionista dos EUA como chegou ao patamar que o define hoje como um dos integrantes dos BRICS. E a tendência de tornar-se em 2050 a 5a economia mundial, apesar das abissais desigualdades sociais, enorme déficit em infraestrutura etc.

Já disseram: se você controla o petróleo controla as nações... se controla o dinheiro controla o mundo.

O século XXI é o século do poder do Mercado financeiro global, da decadência agressiva dos EUA. Mas também da emergência geopolítica multipolar onde o Brasil é protagonista de nível médio.

O golpe de Estado, além de antidemocrático, tem a intenção de desconstruir a cadeia produtiva nacional, privada e estatal, pretende a subalternidade da nação frente às suas imensas possibilidades de ator geopolítico, de interlocutor progressista num mundo em rápida transformação. Por isso a necessidade de uma frente patriótica e democrática em defesa da reconstrução da nação.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Desenvolvimento e democracia

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O desmonte do parque produtivo nacional, estatal e privado, vem abatendo de chofre dezenas de milhares de postos de trabalho, muitos dos quais altamente qualificados, e atingiu no alvo a capacidade competitiva do País, provocando o desemprego generalizado como decorrência direta.

A nação vive uma onda autoritária seletiva que já é impossível escamoteá-la, em um brutal retrocesso que ameaça os valores democráticos mais elementares da sociedade.

Promove-se através de um governo profundamente ilegítimo, de Michel Temer, entronizado no poder via golpe de Estado, a desconstrução de Históricas conquistas trabalhistas.

Reformas como a da Previdência, a Trabalhista, atendem aos objetivos do capital especulativo e visam a privatização de setores fundamentais aos direitos dos assalariados brasileiros.

Assim o governo ilegítimo, com o apoio da grande mídia associada aos objetivos do Mercado rentista, que lucra espetacularmente com a crise nacional, comanda uma espécie de recolonização pós-modernosa da nação.

Ao tempo em que essa grande mídia-empresa oligopolizada, braço ideológico do Mercado Financeiro, propaga uma agenda substitutiva aos verdadeiros interesses nacionais, incitam pelos seus principais órgãos e pelas redes sociais, quase que diariamente, tempestades de intolerâncias e ódio com o objetivo claro de solapar a unidade das grandes maiorias do povo brasileiro.

A política econômica governamental, sob a falsa premissa de combate à inflação, encetada pelo governo ilegítimo, tem sido o eixo basilar de uma escalada recessiva que vai levando a nação ao fundo do poço alimentando os cofres do capital especulativo, os aventureiros rentistas em busca de lucros fabulosos e a curto prazo.

A criminalização da política, única via da participação popular nos destinos do país, é prova da aventura autoritária institucional galopante a que assistimos contra os princípios mais elementares da legalidade democrática. Já o Congresso Nacional encontra-se em séria crise de credibilidade.

Os vetores desse imbróglio rumam para um impasse imprevisível. Assim é vital a constituição de ampla frente patriótica, democrática, de reconstrução nacional, que assegure os direitos sociais, todos eles ameaçados. E retome, sob um novo pacto político, mais avançado, o desenvolvimento do Brasil.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Defesa da nação

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Ao final da Segunda Guerra mundial a humanidade viu-se frente a uma bipolarização global. De um lado um grande campo político, militar, territorial, que se estendia das imensidões da Ásia até grandes regiões da Europa Oriental e Central, sob a liderança da extinta União Soviética.

De outro lado, encontravam-se os Estados Unidos, que extremamente fortalecidos assumiam o papel de guardiães do sistema capitalista, “líder” do chamado mundo ocidental, já que as antigas potências coloniais, ou neocoloniais, praticamente ruíram após 1945.

O que sobrou de imponente do antigo passado colonial transformou-se em estertores decadentes de uma época, onde o maior exemplo foi o grande império britânico, o qual costumava afirmar “que nele o sol nunca se punha” porque sempre havia em qualquer rincão da Terra um pequeno ou grande território com a bandeira tremulando, representando os domínios de “Sua Majestade”.

Com a debacle da URSS, e o surgimento da unipolaridade mundial, a hegemonia dos Estados Unidos sobre os povos foi quase absoluta, a humanidade viu-se numa quadra de guerras intervencionistas que ainda persistem, apesar da reconfiguração geopolítica para um cenário de multilateralidade global.

A crise estrutural capitalista de 2008 provocou abalos no planeta, mudou a face da economia e da sociedade norte-americana, em clara decadência, indicou uma viragem geopolítica intensa e evidenciou os tentáculos do capital rentista com sua governança mundial sem território específico ou bandeira.

Os povos convivem com os malefícios imperiais dos EUA, em estado de exaustão, mas enfrentam um poderoso adversário, o capital especulativo, as instituições globais por ele cooptadas, sua mídia hegemônica. Embora cada vez mais contestado pelas sociedades, inclusive pela via eleitoral.

O golpe de Estado no Brasil, com Michel Temer no poder, a sistemática criminalização da vida política, o autoritarismo ululante, a destruição do parque produtivo nacional, público e privado, o desmantelamento dos Históricos direitos trabalhistas. Tudo isso faz parte da ofensiva do capital rentista, pirata e insaciável.

É essencial a formação de uma frente nacional e democrática em favor do País, de suas riquezas ameaçadas, contra o abate implacável das conquistas sociais, a tenaz defesa do Estado brasileiro.

terça-feira, 21 de março de 2017

Alvo em movimento

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O recente protagonismo do Brasil na geopolítica internacional iniciou, a grosso modo, com a modernização efetivada pela revolução de 1930 sob a liderança de Getúlio Vargas.

Que implantou além das leis trabalhistas, a CLT, a criação das indústrias de base decisivas ao impulso industrial do País.

Esforço que implicou na visão dos interesses nacionais. Durante a Segunda Guerra mundial Vargas, com a iminência do País em combate na Europa, firmou um pacto com os EUA, uma ponte aérea militar entre Natal, Rio Grande do Norte, e Dakar, na África. Em tremenda luta dos povos contra o nazifascismo.

A contrapartida americana foi o apoio à construção da Siderúrgica de Volta Redonda, e outros projetos.

Visando a soberania nacional, Getúlio exigiu a desativação das bases militares dos EUA ao final da guerra, especialmente no Nordeste como, por exemplo, os esquadrões aéreos de caça a submarinos alemães que infestavam o Atlântico Sul afundando navios de carga e passageiros.

O que indica autoridade política, estadismo, que surgem às nações em ocasiões estelares, dizia Stefan Zweig.

Juscelino impulsionou a economia nacional com a indústria automotora, cumpriu o sonho da interiorização estratégica do País com a fundação de Brasília.

Enfrentou adversários que pretendiam o País mero exportador de produtos agrícolas in natura, atrasado.

O Brasil, incluindo também as gestões do presidente Lula e Dilma Rousseff, acumulou conhecimento, tecnologia, a participação de empresas brasileiras estatais e privadas no comércio exterior.

Com o golpe de Temer, e o argumento do combate à corrupção, o País encontra-se sob virulenta ação do Mercado financeiro, de potências mundiais, da grande mídia, com o objetivo de sustar seu protagonismo como liderança global de porte médio.

Dificultar investimentos estratégicos em educação, saúde, infraestrutura, a superação das desigualdades sociais Históricas, além de abater os direitos trabalhistas, privatizar as empresas estatais, aniquilar setores privados, todos fundamentais à condição de ator internacional.

Como dizem Lourdes Casanova e Julian Kassum em recente publicação: o Brasil é hoje um alvo em movimento. Portanto, cabe a defesa da nação, sua originalidade cultural e civilizacional, o direito de um lugar ao sol entre os povos, a legitimidade democrática.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Brasil e Mercado

Meu novo artigo semanal:


O processo de acumulação do capital parasitário atingiu uma dimensão nunca vista antes.

Fez-se uma inaudita destruição dos direitos dos povos, das identidades culturais das nações, a desqualificação das elevadas conquistas e valores da humanidade ao longo dos séculos.

Constituíram-se acima do espírito do Direto, convenções internacionais, uma Governança Mundial onde o Mercado incorporou organizações globais e a grande mídia, tornando-as associadas aos seus objetivos de acumulação parasitária.

Um poder gigantesco, difícil de ser nomeado, sem fronteiras, bandeira ou território, mas que exerce uma ditadura econômica, ideológica sem precedentes.

Boa parte das políticas internacionais, e das nações, dão-se através de personalidades públicas, ou grupos partidários, que foram cooptados ou aderiram às estratégias do capital rentista.

Aos olhos dos povos tornou-se difícil distinguir matizes programáticas antes óbvias, salvo determinadas posições sobre assuntos pontuais que não ameaçam a hegemonia do capital rentista e às vezes fazem parte da sua “agenda social global”.

Mas é crescente a insubordinação mundial contra os efeitos terríveis da globalização financeira, como agora no Brasil vítima de um golpe que “emponderou” o governo Temer sob a proteção da grande mídia e estamentos identificados com o Mercado.

Que desejam criminalizar a única forma da sociedade participar dos destinos da nação, a via política democrática, assim como as conquistas sociais, trabalhistas, promover o desmonte estatal e privado, anular o protagonismo do País conquistado em décadas, como liderança global de porte médio.

Estudo divulgado no El País, maior jornal espanhol, indica que o Brasil em 2050 será a quinta economia global depois da China, Índia, EUA, Indonésia, pela ordem.

É uma conclusão que provoca insônia entre as nações mais ricas, ou seja, das grandes economias quatro delas serão de Países emergentes em poucos anos, inclusive o Brasil.

Assim, por posição estratégica, extensão continental, imensas riquezas, população, capacidade industrial, originalidade civilizacional e cultural, é certo constatar que a onda autoritária, antinacional que vivemos é temporária, menor que o País e o seu futuro, desde que tenhamos como norte a centralidade da questão nacional e os direitos do povo brasileiro.

quinta-feira, 9 de março de 2017

O que está em jogo

Meu novo artigo semanal:


É impossível entender o que acontece no Brasil se abstrairmos a geopolítica global, o processo de desconstrução de alguma coisa parecida com um projeto de Estado e a centralidade da questão nacional.

Porque o que se vem intentando é a total submissão do País ao Mercado financeiro, aos interesses estratégicos do EUA, por mais complicado que seja após as eleições presidenciais norte-americanas.

Além do alinhamento incondicional à ortodoxia neoliberal, que já não é praticada sequer nos EUA, grande parcela das elites brasileiras formada numa visão de subalternidade e dependência da nação, adotaram a política de completa subordinação ao capital financeiro, ao rentismo mundial.

O que assistimos no Brasil desde 2013 tem sido uma cortina de fumaça, com o apoio da grande mídia empresa associada ao Mercado financeiro, com o objetivo de sustar o ativo papel do Brasil nas relações multilaterais, no teatro da geopolítica mundial.

Para tanto fabricou-se uma “revolução colorida” como as que foram encetadas em várias partes do mundo, adequada às particularidades de um País de dimensões continentais, com um parque industrial complexo, uma população que supera duzentos milhões de habitantes, uma massa crítica intelectual desenvolvida, riquezas naturais imensas.

Busca-se retroceder o protagonismo do País, construído em décadas, a modernização implementada nas conquistas sociais do trabalhadores, destruir o parque industrial, comercial, empresarial, seja estatal, como a Petrobras, ou privado, desde que tenha relevância interna ou mundial.

A fragmentação do tecido social fomentada por tempestades de ódios difusos é uma rotina numa época em que é decisiva ampla unidade contra a globalização financeira neoliberal.

O Mercado vem procurando demonizar a crescente insubordinação dos povos contra as catastróficas resultantes da globalização financeira, da acumulação rentista em escala nunca antes vista, além da bancarrota dos Estados nações e respectivas sociedades.

À oposição ao governo Temer, e tudo que ele representa econômica, social, politicamente, também é essencial o combate aos que desejam conduzir o País à total subalternidade econômica e geopolítica. É fundamental ao povo brasileiro a união em torno de um projeto nacional, democrático de desenvolvimento estratégico e soberano.