quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Pós-verdade

Meu novo artigo semanal:


Um dos fenômenos mais lúgubres destes tempos atuais é a onda da chamada pós-verdade cultuada como uma nova manifestação do pensamento humano.

A pós-verdade é porém a relativização da realidade objetiva em todos os sentidos, circunstâncias e em qualquer aspecto.

Mas, no entanto, trata-se de um conceito que tem origem e propósito definido, reflete uma tendência imposta através da hegemonia das ideias pela grande mídia empresa, intimamente associada ao mercado financeiro global.

Um dos maiores difusores da pós-verdade tem sido o megaespeculador do Mercado financeiro George Soros com o livro “A Era da Falibilidade” e fundações como a Open Society que agem abertamente contra a soberania dos povos via chamadas “Revoluções Coloridas”.

Para quem nada é real e tudo é permeável a qualquer “verdade” conforme o gosto e o interesse de grupos. Porém quem determina efetivamente o que deve ser e o que interessa ser relativo, posto em múltiplas dúvidas, onde jamais se chega a conclusão nenhuma, é o grande centro difusor ideológico de uma ditadura do pensamento único, ligado a uma governança mundial do capital financeiro.

De certa maneira é um desdobramento invertido do conceito de Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, que dizia: é preciso repetir uma mentira de forma tão exaustiva e intensamente que ela se transforme em realidade junto à opinião pública.

A pós-verdade é a prevalência das “tempestades de emoções turbinadas” na análise dos fenômenos sociais e políticos, em detrimento da realidade objetiva, ou seja, todos têm razão e ao mesmo tempo a verdade não se encontraria em lugar nenhum.

Assim a confusão geral semeia e permite o exercício da hegemonia do poder pelo capital financeiro, o Mercado.

Já ao Brasil atual de Temer, que se encontra à deriva, noves fora pós-verdades viralizadas diuturnamente em todas as mídias, a única alternativa à grave crise política e econômica, estrutural, é a constituição de um projeto estratégico de desenvolvimento com base democrática, no protagonismo do Estado nacional e a união das grandes maiorias sociais.

Os Países de porte continental como o nosso, riquezas materiais abundantes, vasto lastro cultural, papel geopolítico Histórico, que constroem uma política soberana, estão trilhando essa opção incontornável. Não há outro caminho.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Cenário crítico

Meu novo artigo semanal:


Mergulhado em uma crise política gravíssima o País vê-se às voltas com uma estratégia econômica conscientemente recessiva cuja justificativa central, alegam, tem sido manter a inflação em baixa.

Com isso aprofunda-se a paralisia do desenvolvimento nacional, avança o desemprego e surgem os óbvios sinais de uma séria crise social que já se reflete na situação dramática da segurança pública nos Estados da federação.

Mas esse cenário deve se alastrar, infelizmente, para outros setores como saúde pública e educação, a paralisia nos investimentos em projetos de infraestrutura etc., em decorrência da aplicação pelo governo federal de uma política econômica conservadora e neoliberal cujas consequências em todo mundo mostram-se catastróficas e repudiadas por todos os lados.

Na verdade aplica-se a linha econômica dos governos Fernando Henrique Cardoso mas em um contexto histórico muito mais dramático, numa crise estrutural global e sistêmica do capitalismo iniciada em 2008 nos Estados Unidos e que depois alastrou-se pelo mundo.

Sem estratégias de qualquer espécie, o Brasil encontra-se como uma nau a vela dos tempos antigos: paralisada em meio a uma escassez de ventos que a impulsionem. A única coisa em movimento é a remuneração do capital financeiro que apresenta lucros recordes nos balanços publicados.

Sem protagonismo geopolítico regional ou global o Brasil vive um estado de torpor. Mostra-se em processo de regressão, de catatonia política.

As linhas monetaristas adotadas pelo governo Temer assemelham-se às do início do período das políticas neoliberais da década de 70 do século passado, das iniciativas neoliberais do presidente Ronald Reagan e da primeira ministra britânica Margaret Thatcher.

Mesmo assim mostram-se farsescas, como se fossem réplicas do auge das linhas gerais do liberalismo recauchutado que pontuou o final do século XX.

Onde se proclamava, hegemonicamente, através dessa mesma grande mídia atual, que a economia resolve por si própria todas as questões. Quem atrapalha é a intervenção do Estado nas relações institucionais ou nas políticas financeiras.

Como disse André Araújo “estão praticando um economês de quitanda... vamos chegar ao pico da crise com uma inflação na meta e a nação em crise social, à beira da guerra civil. Exemplo de miséria em País rico”.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A crise

Meu novo artigo semanal:


As informações demonstram que a economia global pode estar se aproximando de um novo e mais elevado estágio da crise financeira mundial.

Os setores dinâmicos da produção, como a indústria, continuam em forte processo de estagnação, enquanto os ativos monetários estão sendo usados para socorrer os bancos, especialmente aqueles na área de “investimentos”, o que vale dizer para aplicações financeiras de curto prazo, do capital rentista.

O Brasil, assim como a América Latina, vem sendo conduzido a um novo estágio de subalternidade em sua dinâmica econômica, a partir de uma orientação política para esse fim que é, em última instância, quem na verdade dá os rumos ao processo econômico em qualquer País do mundo.

Enquanto em meio a essa crise global assistimos, desde 2008, novos jogos de guerra com invasões armadas, especialmente pelos Estados Unidos, cujos objetivos mais evidentes são a disputa por matérias primas, destacadamente o petróleo, a ocupação de espaços geopolíticos, há uma uma nova reconfiguração internacional rumo à multipolaridade que caminha a passos mais rápidos que se imaginava há alguns anos atrás.

Mesmo com os incentivos ao complexo industrial militar durante as últimas administrações da Casa Branca, de Clinton à família Bush, passando ao governo Obama, a economia dos Estados Unidos continua em situação catastrófica apesar dos intensos esforços dos comentaristas econômicos da grande mídia associada ao capital financeiro.

Mas o fato é que torna-se óbvio o enfraquecimento da economia dos EUA na medida que seu déficit na balança comercial atinge, desde 2000, 8,6 trilhões de dólares, sendo que o total chega a 10,5 trilhões de dólares.

Não há como entender as últimas eleições presidenciais norte-americanas, abstraindo a decadência industrial, o desemprego em massa, casas hipotecadas, a desesperança do cidadão comum dos EUA.

Ao tempo em que a Europa patina num caos político imprevisível, o Brasil atravessa grave crise multilateral com a hegemonia das políticas neoliberais do Mercado no País.

É um cenário assemelhado à crise capitalista de 1929, a ascensão nazifascista, a carnificina da 2a Guerra Mundial. Assim, para nós brasileiros é fundamental a retomada da economia produtiva, a defesa intransigente da paz, das liberdades democráticas e da soberania nacional.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Rumos

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O cientista político Mangabeira Unger disse, criticamente, em entrevista à BBC de Londres que o Brasil é hoje o País no mundo mais parecido com os Estados Unidos. Talvez tenha razão.

Mas essa “semelhança” não vem de algum plebiscito ou consulta aos cidadãos e cidadãs nacionais.

Pode refletir em primeiro lugar a ação avassaladora do Mercado sobre o imaginário da sociedade, principalmente através da grande mídia hegemônica nativa, associada ao capital financeiro e papel carbono do discurso ideológico que os ventos trazem da grande potência do Norte.

Já não há mais os déspotas insanos na América Latina apoiados pelos EUA, que proliferaram durante décadas no século XX como o sanguinário ditador Maximiliano Hernandez Martínez de El Salvador que, segundo testemunho de Gabriel Garcia Márquez, possuía pendores teosóficos além do defeito mais notável de ser inteiramente louco. Certa vez resolveu combater uma epidemia de sarampo cobrindo as luzes dos postes com papel celofane.

Ou como o médico François Duvalier, tirano do Haiti que governou aquele País com mão de ferro e seus Tontons Macutes (bicho papão em português) terrível polícia secreta que assassinou 60 mil opositores nessa heroica ilha devastada pela exploração dos homens e a má sorte com a natureza.

Nas décadas de 60 e 70 os EUA incitaram intervenções na América Latina de consequências trágicas em nome do combate ao comunismo durante a Guerra Fria.

Hoje os Estados Unidos mudaram o foco central para a África e o Oriente Médio promovendo guerras fratricidas, acarretando milhões de refugiados rumo às praias europeias, e grupos terroristas que agem por lá.

No Brasil atual as imposições dos EUA e do Mercado financeiro são mais sutis e mais eficientes porque através da hegemonia da grande mídia propaga a ditadura do pensamento único do Mercado global.

Já se disse, o Brasil precisa definir o que quer ser, e para isso necessita de um projeto nacional que una as maiorias da sociedade, supere os surtos autoritários que vivemos, à mercê de ingerências nativas, externas, contra a democracia e os interesses do povo brasileiro.

Realidade que beira ao limite da irracionalidade, do caos profundo, e sem rumos. Só será superada com o concurso de lideranças que pensem mais no País do que em justificáveis projetos pessoais ou de grupos afins.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O Brasil

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Estamos diante de um quadro de crise geral, agravada pelas políticas recessionistas do governo Temer de ajustes fiscais, paralisia da atividade econômica, gerando até o momento 13 milhões de desempregados, empresas quebradas, desespero de famílias etc.

Tudo para trazer a inflação para “dentro da meta”, favorecer os rentistas enquanto o País avança a passos acelerados para o fundo do poço, já que ainda não chegamos lá.

Além disso o governo aumenta o sacrifício no mundo do trabalho modificando ferozmente as regras previdenciárias, aumentando a contribuição previdenciária, a idade mínima para as aposentadorias, sem falar nas iniciativas de vender empresas que representam patrimônio do Estado nacional.

Sabe-se igualmente que o objetivo é o desmantelamento do sistema público de saúde, a brutal precarização das conquistas trabalhistas adquiridas ao longo de muitas lutas, encetadas por governos nacional desenvolvimentistas cuja referência mais emblemática foi o período da revolução de 1930 com Getúlio Vargas e daí por diante.

Como afirma corretamente o empresário, escritor, analista de economia e política André Araújo, a gestão Temer sobressai pela adoção de um curso vicioso, jamais de uma estratégia econômica virtuosa.

Cuja linha assemelha-se à adotada pelos burocratas na União Europeia com trágico retrocesso econômico, social, industrial, para beneficiar a banca financeira ávida de mais lucros em época de crise.

É visão tão superada que nem os Estados Unidos continuam a adotá-la após a bancarrota do crash de 2008 que levou o mundo à pior debacle sistêmica desde a grande crise de 1929-1930. Temer além de subserviente, sua orientação é tão retrógrada que chega a ser mais realista que o rei. Só é útil ao rentismo e ponto.

A globalização que sofre a contestação efetiva em todo mundo já provou que só serve para enriquecer 1% de biliardários e levar à miséria os povos. Como se disse, é o único argumento pró globalização que resiste, noves fora a “bolha autista” e reacionária da grande mídia-empresa global associada ao Mercado.

O Brasil precisa seguir a linha da economia viva, dinâmica, produtiva, valorização do trabalho, a criatividade singular do seu povo, reconstruir a unidade social defenestrada por manobras geopolíticas desestabilizadoras, reafirmar a soberania ameaçada.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Aldeia global

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A revolução tecnológica aproximou as pessoas de tal maneira que os indivíduos percebem que o mundo ficou mais próximo. É como se houvesse sido realizada a profecia de Marshall McLuhan, guru da comunicação dos anos sessenta que vislumbrou o planeta como uma grande aldeia global.

O interessante é que seus adeptos eram, na época, rebeldes contra o sistema, desejavam mudar as sociedades. Talvez não fosse isso que o “profeta” queria dizer com suas ideias e palestras que reuniam multidões.

De fato a sua profecia aconteceu mas não no espírito que hoje nos pretendem vender, porque essa comunidade planetária de cidadãos encontra-se a serviço de uma acumulação financeira jamais vista na História da humanidade.

Primeiro porque essa tal de “aldeia global” não é de cidadãos livres com iguais direitos e deveres. Há uma efetiva hegemonia, mantida a ferro e fogo, especialmente por um império, imposta de todas as formas imagináveis a determinar o que é politicamente correto aos povos do mundo.

A ONG inglesa Oxfam diz que 1% de mega-bilionários detêm 99% da fortuna mundial, uma acumulação da riqueza inédita. Em resumo, da aldeia global gestou-se a globalização não da cidadania mas do capital financeiro, a ditadura feroz do Mercado rentista.

Umbilicalmente associada ao rentismo encontra-se a grande mídia-empresa global, cuja função essencial é o domínio absoluto do discurso sobre os fatos e acontecimentos, desprovida do papel da informação, mesmo que parcial ou de grupos. Cabe a ela declarar diuturnamente a morte das ideologias, com exceção de uma: a ideologia do grande capital, do Mercado financeiro.

Assim, por todos os cantos é o Mercado quem promove os golpes e as “primaveras coloridas” contra as nações que por desejo de autodeterminação pretendem constituir seus próprios caminhos como é o caso do Brasil.

Trata-se de uma governança mundial sob a guarda pretoriana dos EUA, agora em pânico com a eleição presidencial de um bilionário “outsider”, não indicado por Wall Street, totalmente imprevisível.

O ex-presidente dos EUA Franklin Roosevelt afirmava: “ser governado pelo dinheiro organizado é igual ou pior do que ser governado pelo crime organizado”. Mas o mundo vive tempos de resistência e transformações a olhos vistos. O Brasil precisa encontrar seu rumo nesse novo cenário global.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O Mercado

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Apesar de explícita, a olho nu, a crise da Nova Ordem mundial sob a predominância do capital financeirizado de tipo neoliberal, continua a hegemonia das políticas do Mercado sobre as nações e os povos do planeta.

A decadência das diretivas de um brutal processo que impôs, em escala global, um pensamento desprovido de largos horizontes de perspectivas e causas transformadoras para a humanidade reduziu, de maneira ditatorial, as sociedades a um tipo de consumismo desenfreado.

Um consumismo que se mostra para além da satisfação das necessidades básicas das populações, ou mesmo o acesso aos novos instrumentos que a ciência e a tecnologia põem a serviço do bem estar dos indivíduos quer seja como ferramentas de trabalho ou de lazer, conquistas extremamente positivas ao desenvolvimento social ou individual.

Sem projetos ou causas pluralistas que galvanizem a reflexão a sociedade do século XXI vê-se reduzida a uma incessante procura de objetos mercadorias em permanente transformação, onde uma nova versão de um celular substitui velozmente a anterior, de tal forma que a mercadoria vira referência absoluta e aspiração de modo de vida às grandes multidões pelos quatro cantos da Terra, com óbvias exceções.

Não sem motivo atualmente crescem os transtornos psíquicos coletivos, sem que deles se tenha consciência, em um quadro geral de desertificação das ideias que impulsionam a consciência coletiva e individual dos cidadãos e cidadãs.

A espiritualidade, as causas universais, das nações, são combatidas aberta ou obliquamente, através da grande mídia empresa associada ao Mercado. De tal forma que o sentimento de pertencimento a uma comunidade ou povo é substituído por uma espécie de tribalismo do novo milênio, como uma busca fragmentada de renovadas identidades onde as pessoas buscam ser assimiladas.

A mercadoria passa a ser um deus, o princípio e o fim das coisas enquanto o Mercado financeiro exerce brutal domínio concentrando a renda, promovendo guerras, desigualdades globais, fomentando “diálogo entre mediocridades”.

E por tudo isso, além das guerras de rapina, crises econômicas, sociais estruturais, está em curso uma revolta objetiva contra a Nova Ordem mundial danosa. Mas será na reflexão de outro rumo real e palpável que a humanidade irá superar essa idade média pós moderna.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O povo brasileiro

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Como reflexo da crise do capitalismo financeiro que repercutiu com força no País e em decorrência da grave instabilidade dos poderes da República, especialmente após a destituição da presidente Dilma, a realidade nacional é um processo de desencontros.

Na verdade é perfeitamente constatável que a nação vive uma encruzilhada Histórica que já vinha se gestando há anos.

A geopolítica mundial vem passando, nos últimos anos, por um intenso processo de transformações. De um cenário de hegemonia unipolar norte-americana, desde o fim da guerra fria, para se transformar, com velocidade não prevista, em um outro contexto geopolítico multipolar. Daí é possível constatar que a realidade é muito mais criativa e dinâmica que os estudos e as previsões acadêmicas.

Esses dois elementos, a crise do capitalismo neoliberal somada às grandes transformações no tabuleiro de xadrez internacional, ocorrem de maneira turbulenta, não pacífica, como sempre aconteceu nos grandes movimentos da História. Não seria diferente hoje.

O Brasil, como grande nação continental, com riquezas naturais abundantes, liderança no hemisfério sul, grande população, é alvo de intensa disputa pelas grandes potências, especialmente os EUA, além da ação predadora do Mercado.

Esse Mercado financeiro rentista tem como associada a grande mídia-empresa que age no País ditando a agenda política e a interpretação dos fatos.

Age como alter ego dos interesses das grandes corporações financeiras ao tempo que busca passar a imagem de prestadora de serviços à população. Esse é um processo que vem se consolidando há décadas.

Os objetivos dessas forças têm sido quebrar a vontade nacional, a desconstrução do Estado Nação, a captura das imensas riquezas do País, sustar qualquer tentativa de protagonismo do Brasil na diplomacia internacional.

Para tanto é fundamental por em prática, como está acontecendo, a “política do choque” já aplicada, com êxitos e fracassos, em outros Países, o que significa ação fulminante, deixando a sociedade perplexa, fragmentada, para que se possam alcançar os objetivos do neoliberalismo financeiro.

O Brasil vive momentos graves. Mas aqui vem se forjando uma civilização singular nos trópicos que já passou por outros momentos dramáticos e conseguiu superá-los com muita luta. Não será diferente agora.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A rota da soberania

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No contrafluxo da situação geopolítica mundial o Brasil vive uma realidade lastimável onde as instituições da República encontram-se à deriva e que assumiu enorme dimensão notadamente após a destituição da presidente Dilma.

Distinto do contexto internacional onde a Nova Ordem mundial vem sofrendo evidentes sinais de decadência com a derrota em vários cenários: militar, eleitoral, diplomático, surgindo sinais de transformação a outra Ordem multipolar, o País é alvo de movimentos externos, internos com o objetivo de impedir seu protagonismo geopolítico, fomentar o desequilíbrio institucional, a fragmentação da sociedade nacional.

As insurgências fabricadas em laboratório conhecidas como “primaveras árabes” têm sido utilizadas no Brasil desde 2013 e vêm num crescendo com a participação da grande mídia monopolista que capturou, já faz algum tempo, a informação, a notícia, interpretação dos fatos e especialmente o destino político da nação. Viceja a intimidação, a chantagem, os desabridos interesses antinacionais.

Sem uma unidade social em torno do rumo nacional, imerso em grave crise econômica interna, mergulhado em uma séria anomia institucional, o Brasil chafurda em uma das mais graves crises da sua História enquanto nação independente e soberana.

Onde é evidente a falência da chamada Nova República erigida em 1985. É nesse sentido que fica cristalina a necessidade da constituição de um amplo pacto social e político, de um novo projeto econômico, social em defesa do desenvolvimento nacional, da integridade e soberania do País.

O quadro é tão dramático que os prazos, os recursos, as possíveis saídas vão rapidamente se esgotando e as alternativas à dantesca crise vão rareando, enquanto a economia vai afundando a olhos vistos com a nação cada vez mais à mercê do cassino financeiro global.

Nesse contexto a grande mídia associada ao capital financeiro e aos interesses imperiais, especialmente norte-americanos, faz o seu trabalho de produzir tempestades de ódios gerais, verdadeira máquina de promoção de dissensos, manipulação de agendas sociais, cresce cada vez mais o domínio econômico e político do capital rentista no País.

Só a rota da soberania nacional pode unificar o povo brasileiro em torno de novos rumos de desenvolvimento, em defesa da autodeterminação do País.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Agenda pesada

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Muitos têm falado que 2016 continuará ainda por um bom tempo e deverá ocupar a agenda dos próximos anos.

De fato é uma possibilidade plausível tendo em conta que os fenômenos gerais que incidem hegemonicamente sobre o País têm origens, razões, objetivos determinados, partindo de interesses em escala global, gerando vários outros acontecimentos como danos colaterais.

Nunca é demais repetir que a nação sofre os impactos da mais dramática crise capitalista global desde o crash de 1929. E em consequência há graves rachaduras nas estruturas da Nova Ordem mundial, gerando desdobramentos diferenciados pelos continentes.

A interpretação desses fatos não tem sido fácil para nós simples mortais, submetidos há anos e diariamente a um inédito, na História, processo de uniformização da informação e interpretações dos fatos, o famoso “para entender” isso ou aquilo, que nos são jogados na cara diariamente, com o objetivo de sustar qualquer consciência crítica das suas origens, seus desdobramentos.

A alienação da realidade objetiva cabe à grande mídia-empresa global, associada ao Mercado financeiro mundial, instrumento imprescindível ao exercício de um processo de dominação das sociedades, dos povos, inigualável na História contemporânea, onde a mídia hegemônica já não mais informa, mesmo a informação parcial ou de grupos. Ela dita qual é a realidade conveniente ao capital rentista, à Nova Ordem mundial.

Se questionarmos a quem interessa o exercício desse inédito, em termos Históricos, processo de constituição da ditadura do pensamento único, é certa a resposta pela constatação de que hoje 99% da riqueza global encontra-se nas mãos de 1% dos habitantes do planeta, segundo a insuspeita ONG britânica Oxfam, com base em dados do banco Crédit Suisse.

Quanto ao Brasil o golpe fatiado em curso está associado a esse cenário global com vistas: à entrega do pré-sal às multinacionais, privatização das estatais, a reforma da previdência, abertura do mercado da construção civil a empresas internacionais do ramo, prioridade ao pagamento dos juros da dívida pública, desindustrialização interna, fim dos programas nuclear e espacial brasileiros, afastamento do Brasil em relação aos BRICS etc.

Portanto, será renhida a luta em defesa da democracia, dos direitos sociais, da soberania nacional.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

O tempo e o pacto

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A crise nacional anda numa velocidade em que os fatos são ultrapassados no mesmo dia por outros ainda mais danosos numa escala progressiva.

A tormenta institucional tem duas vertentes óbvias que se imbricam: a política e a econômica.

Com o golpe de 2015 que depôs a presidente Dilma a nação constata que apesar da redemocratização em 1985 ainda há na cultura política brasileira uma tendência autoritária que se evidencia no fato que vinte e oito anos após a promulgação da Carta Constitucional de 1988 só dois presidentes da República concluíram seus mandatos.

A metade dos presidentes eleitos no mesmo período foi deposta. Ao longo dos vinte e oito anos pós-Constituinte os argumentos utilizados para depor os presidentes eleitos, e até seus substitutos, foram por razões com forte teor de ideologismo, como sucedeu com a presidente Dilma.

Os impeachments, e até as tentativas não concretizadas, ao longo da Nova República foram encetados em defesa da moralidade mas as razões centrais residem na elementar luta pelo poder, sem compromissos com o pacto Constitucional, sob o comando da grande mídia empresa associada ao Mercado rentista.

A ideia de que “o povo bota, o povo tira” é absolutamente válida nos regimes de plena democracia, desde que observada a Constituição, a soberania das urnas. Fora disso é golpe.

No plano econômico tem sido raso o esforço em prol dos objetivos da centralidade dos interesses nacionais, que se expresse em projetos que possam alavancar o conjunto da economia brasileira, o reforço do papel estratégico do Estado como indutor na construção de percursos de largo tempo e espaço.

Ao contrário promove-se hoje, sob violenta ofensiva neoliberal, o congelamento dos gastos públicos por 20 anos, uma condenação ao crescimento do País, a famigerada reforma da Previdência que amputa mortalmente os direitos dos assalariados, suas aposentadorias. Pela acumulação dos lucros do Mercado tudo, ao povo e à nação, ZERO.

Está certo André Araújo: não é possível um País com a complexidade do Brasil em inédita e rara recessão (no planeta), onde pessoas que comandam a economia não estão à sua altura, muito menos têm a legitimidade, frente aos imensos desafios que estão no horizonte.

Urge a formação de ampla frente em prol da reconstrução nacional, da economia, pela democracia.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Cenário trágico

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As medidas de arrocho, ajustes fiscais, precarização dos direitos trabalhistas, redução do Estado, privatização de setores estratégicos, compõem o eixo das iniciativas contrárias aos interesses do Brasil.

A crise capitalista que já adquiriu nova fase em 2008 com o estouro das bolhas do Mercado imobiliário nos Estados Unidos, jogou a economia mundial na debacle que vivenciamos.

Assim o que está em curso é a crise das políticas da Nova Ordem mundial impostas aos povos e nações depois da extinção da União Soviética, o surgimento da hegemonia unipolar dos Estados Unidos, guarda pretoriana do “Mercado” global.

Nesse tempo os EUA, a globalização financeira, deitaram e rolaram. Apesar da crise financeira garroteando os Países foram adotadas brutais medidas de impacto econômico, social contra os povos.

Algumas nações buscaram adaptar-se às novas condições da hegemonia econômica, militar global, com formas de sobrevivência sem abdicar da soberania econômica, territorial, cultural, política. E conseguiram se desenvolver de uma forma ou de outra. Podemos citar a China, Rússia, etc.

Enquanto a Nova Ordem exercia intensa exploração financeira, apoiada pelos EUA, escamoteava as razões centrais da brutal crise que viviam as nações. Em seu lugar impôs agendas globais diversionistas através da grande mídia empresa, associada ao “Mercado”.

Mas a crise econômico-financeira está cobrando a fatura, chegou ao nível do insuportável, e os povos estão se rebelando, exigindo seus diretos.

O Brasil conseguiu adiar essa crise até 2011 em função da grande procura de produtos primários dos quais o país é celeiro, mas não adotou medidas estratégicas de desenvolvimento em infraestrutura, tecnologia, forte industrialização, adequadas às suas peculiaridades. Persistiu na senda da economia via consumo.

O golpe em curso, chamado corretamente de “golpe fatiado”, obedece a várias etapas. Busca anular o sentimento nacional, democrático, impor as políticas extremadas do Mercado financeiro, a capitulação da nação, do povo brasileiro.

O cenário de paralisia econômica, desemprego é grave. As ameaças contra o País e a sociedade são concretas. Só um amplo pacto nacional e democrático com intensa mobilização social em defesa da reconstrução do País pode reverter o quadro trágico em que se encontra o Brasil.