quarta-feira, 26 de abril de 2017

Questão de Grandeza

Meu novo artigo semanal:


Sejam quais forem as dimensões das manifestações de rua nesta sexta-feira, decorrentes da greve geral convocada pelos sindicatos e organizações populares contra as reformas do governo Temer, muito especialmente a trabalhista e a da Previdência Social, uma coisa é certa, ela já está sendo profundamente vitoriosa.

Primeiro porque tratam-se de conquistas sociais Históricas, várias delas adquiridas desde a revolução de 1930 nos governos de Getúlio Vargas, e apesar de agredidas em governos de feição neoliberal, como o de Fernando Henrique Cardoso, através de reformas inspiradas pelos interesses do Mercado financeiro, persistem ainda os fundamentos essenciais dos direitos dos assalariados do País.

Segundo, e em decorrência, a greve geral tem o apoio da mais ampla e esmagadora maioria da população brasileira, que repudia a tentativa real e concreta de surrupiarem, de forma escancarada e à luz do dia, os seus direitos sociais mais elementares.

Terceiro porque a luta contra as reformas antipopulares do ilegítimo governo de Michel Temer possui um apoio maciço proporcional à espetacular rejeição ao seu governo, ou seja, mais de 96% da população.

E de nada adianta o apoio a essas reformas grotescas da parte do primeiro-ministro da Espanha Mariano Rajoy, dizendo que foram feitas reformas iguais por lá e que foram um sucesso.

Não para o povo espanhol, que amarga uma taxa de desemprego brutal onde mais de 40% da população jovem com idade de trabalho encontra-se desempregada, além de sofrer tremendas perdas em conquistas do Estado social desmantelado na Espanha.

Situação igual está sendo preparada aos franceses. Articularam um candidato bem vestido e jovem, Macron, construíram para ele um partido político, um cenário eleitoral ideal e desejam presenteá-lo com o poder. Trata-se porém de um legítimo banqueiro, candidato dos banqueiros e do Mercado financeiro.

Já o ilegítimo Temer é igualmente um representante do Mercado rentista e da grande mídia associada aos financistas. Sua única tarefa é conduzir as reformas antinacionais e antipopulares.

Assim é preciso canalizar a insatisfação ao governo Temer na articulação de uma ampla frente democrática e patriótica em defesa da nação e do povo brasileiro. Esse é o desafio, o tamanho da Grandeza que se impõe à luta política em curso.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Tempus fugit

Meu novo artigo semanal:


A prolongada crise nacional vai atingindo múltiplos aspectos da sociedade brasileira e nada indica que nesse rumo, ou na absoluta falta dele, as coisas vão chegar a um bom termo.

No plano econômico, mesmo com o denodado esforço da grande mídia hegemônica, a contínua queda dos indicadores econômicos aponta no sentido do agravamento da recessão, aumento galopante do desemprego, além do processo estrutural da desindustrialização do País.

No aspecto institucional, o que se observa é a afirmação de uma espécie de novo tipo de fascismo adequado às características e exigências do Mercado financeiro, e das oportunidades que usufruem as grandes empresas estrangeiras com o desmonte do parque produtivo nacional, estatal e privado.

No campo social são evidentes as ameaças, e concretizações destas, às Históricas conquistas trabalhistas adquiridas desde a revolução de 1930. De outro lado, tramitam no Congresso Nacional projetos que ameaçam a soberania e integridade nacional, como a venda criminosa de terras a grandes grupos estrangeiros, incluindo a Amazônia brasileira.

A nação já não vive um clima de legalidade democrática, encontra-se sob um verdadeiro Estado de Exceção, onde o poder executivo, a presidência da República, vítima de golpe de mão, não representa qualquer segmento da sociedade nacional, salvo os interesses do capital rentista, da mídia golpista e de aventureiros de ocasião cujos anseios estão a anos luz da grandeza que a nação exige.

O Congresso Nacional, salvo louváveis exceções já conhecidas, vai à deriva, abatido por si próprio tanto como pelos ataques cirúrgicos da grande mídia hegemônica, uma das protagonistas do golpe de Estado.

O açoitamento da política, caminho da participação social nos rumos do País, tem sido uma constante por essa mesma grande mídia hegemônica, que é recorrente na prática de arranjos autoritários para o País, como nos tempos atuais.

Por isso, tempus fugit: o tempo voa para que os democratas, patriotas e progressistas constituam um amplo pacto político, com intensa participação de variadas camadas sociais, que enseje a reconstrução nacional, a integridade do País, assegure os direitos trabalhistas dos cidadãos, aponte um novo rumo para a economia e o desenvolvimento, antes que alguma figura delirante empalme os destinos do Brasil.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O novo século

Meu novo artigo semanal:


O que acontece atualmente com o Brasil, com o golpe de Estado que entronizou no poder Michel Temer, é reflexo direto de uma encarniçada batalha geopolítica em curso.

O País é a 7a economia mundial e não chegou a tal escala de crescimento através de geração espontânea, como a falsa teoria de Lamarck, mas graças à condição peculiar de nação continental, detentora de múltiplas riquezas naturais como o petróleo, além de várias outras estratégicas como o Nióbio etc.

Possui imensa riqueza em águas, como a reserva aquífera da Amazônia, a maior do mundo. Uma situação geopolítica que o define, junto com suas dimensões geográficas, como um dos principais atores no atual tabuleiro de xadrez da arquitetura mundial.

Na verdade, há várias décadas o Brasil deixou de ser o País do futuro, definido pelo escritor austríaco Stefan Zweig, que aqui se exilou fugindo do nazismo na Europa.

Após a 2a Guerra Mundial a nação passou a trilhar, com idas e vindas, avanços e retrocessos, um protagonismo crescente, adquiriu sofisticada estrutura com quadros nos mais diversos estamentos do aparato estatal.

A economia brasileira foi atingindo, apesar dos percalços, a dimensão atual, e o caminho do desenvolvimento nacional mesclou a associação dos setores público e privado, característico dos Países em desenvolvimento.

No século XX, o século norte-americano, o Brasil não só sobreviveu às agruras da ação intervencionista dos EUA como chegou ao patamar que o define hoje como um dos integrantes dos BRICS. E a tendência de tornar-se em 2050 a 5a economia mundial, apesar das abissais desigualdades sociais, enorme déficit em infraestrutura etc.

Já disseram: se você controla o petróleo controla as nações... se controla o dinheiro controla o mundo.

O século XXI é o século do poder do Mercado financeiro global, da decadência agressiva dos EUA. Mas também da emergência geopolítica multipolar onde o Brasil é protagonista de nível médio.

O golpe de Estado, além de antidemocrático, tem a intenção de desconstruir a cadeia produtiva nacional, privada e estatal, pretende a subalternidade da nação frente às suas imensas possibilidades de ator geopolítico, de interlocutor progressista num mundo em rápida transformação. Por isso a necessidade de uma frente patriótica e democrática em defesa da reconstrução da nação.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Desenvolvimento e democracia

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O desmonte do parque produtivo nacional, estatal e privado, vem abatendo de chofre dezenas de milhares de postos de trabalho, muitos dos quais altamente qualificados, e atingiu no alvo a capacidade competitiva do País, provocando o desemprego generalizado como decorrência direta.

A nação vive uma onda autoritária seletiva que já é impossível escamoteá-la, em um brutal retrocesso que ameaça os valores democráticos mais elementares da sociedade.

Promove-se através de um governo profundamente ilegítimo, de Michel Temer, entronizado no poder via golpe de Estado, a desconstrução de Históricas conquistas trabalhistas.

Reformas como a da Previdência, a Trabalhista, atendem aos objetivos do capital especulativo e visam a privatização de setores fundamentais aos direitos dos assalariados brasileiros.

Assim o governo ilegítimo, com o apoio da grande mídia associada aos objetivos do Mercado rentista, que lucra espetacularmente com a crise nacional, comanda uma espécie de recolonização pós-modernosa da nação.

Ao tempo em que essa grande mídia-empresa oligopolizada, braço ideológico do Mercado Financeiro, propaga uma agenda substitutiva aos verdadeiros interesses nacionais, incitam pelos seus principais órgãos e pelas redes sociais, quase que diariamente, tempestades de intolerâncias e ódio com o objetivo claro de solapar a unidade das grandes maiorias do povo brasileiro.

A política econômica governamental, sob a falsa premissa de combate à inflação, encetada pelo governo ilegítimo, tem sido o eixo basilar de uma escalada recessiva que vai levando a nação ao fundo do poço alimentando os cofres do capital especulativo, os aventureiros rentistas em busca de lucros fabulosos e a curto prazo.

A criminalização da política, única via da participação popular nos destinos do país, é prova da aventura autoritária institucional galopante a que assistimos contra os princípios mais elementares da legalidade democrática. Já o Congresso Nacional encontra-se em séria crise de credibilidade.

Os vetores desse imbróglio rumam para um impasse imprevisível. Assim é vital a constituição de ampla frente patriótica, democrática, de reconstrução nacional, que assegure os direitos sociais, todos eles ameaçados. E retome, sob um novo pacto político, mais avançado, o desenvolvimento do Brasil.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Defesa da nação

Meu novo artigo semanal:


Ao final da Segunda Guerra mundial a humanidade viu-se frente a uma bipolarização global. De um lado um grande campo político, militar, territorial, que se estendia das imensidões da Ásia até grandes regiões da Europa Oriental e Central, sob a liderança da extinta União Soviética.

De outro lado, encontravam-se os Estados Unidos, que extremamente fortalecidos assumiam o papel de guardiães do sistema capitalista, “líder” do chamado mundo ocidental, já que as antigas potências coloniais, ou neocoloniais, praticamente ruíram após 1945.

O que sobrou de imponente do antigo passado colonial transformou-se em estertores decadentes de uma época, onde o maior exemplo foi o grande império britânico, o qual costumava afirmar “que nele o sol nunca se punha” porque sempre havia em qualquer rincão da Terra um pequeno ou grande território com a bandeira tremulando, representando os domínios de “Sua Majestade”.

Com a debacle da URSS, e o surgimento da unipolaridade mundial, a hegemonia dos Estados Unidos sobre os povos foi quase absoluta, a humanidade viu-se numa quadra de guerras intervencionistas que ainda persistem, apesar da reconfiguração geopolítica para um cenário de multilateralidade global.

A crise estrutural capitalista de 2008 provocou abalos no planeta, mudou a face da economia e da sociedade norte-americana, em clara decadência, indicou uma viragem geopolítica intensa e evidenciou os tentáculos do capital rentista com sua governança mundial sem território específico ou bandeira.

Os povos convivem com os malefícios imperiais dos EUA, em estado de exaustão, mas enfrentam um poderoso adversário, o capital especulativo, as instituições globais por ele cooptadas, sua mídia hegemônica. Embora cada vez mais contestado pelas sociedades, inclusive pela via eleitoral.

O golpe de Estado no Brasil, com Michel Temer no poder, a sistemática criminalização da vida política, o autoritarismo ululante, a destruição do parque produtivo nacional, público e privado, o desmantelamento dos Históricos direitos trabalhistas. Tudo isso faz parte da ofensiva do capital rentista, pirata e insaciável.

É essencial a formação de uma frente nacional e democrática em favor do País, de suas riquezas ameaçadas, contra o abate implacável das conquistas sociais, a tenaz defesa do Estado brasileiro.

terça-feira, 21 de março de 2017

Alvo em movimento

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O recente protagonismo do Brasil na geopolítica internacional iniciou, a grosso modo, com a modernização efetivada pela revolução de 1930 sob a liderança de Getúlio Vargas.

Que implantou além das leis trabalhistas, a CLT, a criação das indústrias de base decisivas ao impulso industrial do País.

Esforço que implicou na visão dos interesses nacionais. Durante a Segunda Guerra mundial Vargas, com a iminência do País em combate na Europa, firmou um pacto com os EUA, uma ponte aérea militar entre Natal, Rio Grande do Norte, e Dakar, na África. Em tremenda luta dos povos contra o nazifascismo.

A contrapartida americana foi o apoio à construção da Siderúrgica de Volta Redonda, e outros projetos.

Visando a soberania nacional, Getúlio exigiu a desativação das bases militares dos EUA ao final da guerra, especialmente no Nordeste como, por exemplo, os esquadrões aéreos de caça a submarinos alemães que infestavam o Atlântico Sul afundando navios de carga e passageiros.

O que indica autoridade política, estadismo, que surgem às nações em ocasiões estelares, dizia Stefan Zweig.

Juscelino impulsionou a economia nacional com a indústria automotora, cumpriu o sonho da interiorização estratégica do País com a fundação de Brasília.

Enfrentou adversários que pretendiam o País mero exportador de produtos agrícolas in natura, atrasado.

O Brasil, incluindo também as gestões do presidente Lula e Dilma Rousseff, acumulou conhecimento, tecnologia, a participação de empresas brasileiras estatais e privadas no comércio exterior.

Com o golpe de Temer, e o argumento do combate à corrupção, o País encontra-se sob virulenta ação do Mercado financeiro, de potências mundiais, da grande mídia, com o objetivo de sustar seu protagonismo como liderança global de porte médio.

Dificultar investimentos estratégicos em educação, saúde, infraestrutura, a superação das desigualdades sociais Históricas, além de abater os direitos trabalhistas, privatizar as empresas estatais, aniquilar setores privados, todos fundamentais à condição de ator internacional.

Como dizem Lourdes Casanova e Julian Kassum em recente publicação: o Brasil é hoje um alvo em movimento. Portanto, cabe a defesa da nação, sua originalidade cultural e civilizacional, o direito de um lugar ao sol entre os povos, a legitimidade democrática.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Brasil e Mercado

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O processo de acumulação do capital parasitário atingiu uma dimensão nunca vista antes.

Fez-se uma inaudita destruição dos direitos dos povos, das identidades culturais das nações, a desqualificação das elevadas conquistas e valores da humanidade ao longo dos séculos.

Constituíram-se acima do espírito do Direto, convenções internacionais, uma Governança Mundial onde o Mercado incorporou organizações globais e a grande mídia, tornando-as associadas aos seus objetivos de acumulação parasitária.

Um poder gigantesco, difícil de ser nomeado, sem fronteiras, bandeira ou território, mas que exerce uma ditadura econômica, ideológica sem precedentes.

Boa parte das políticas internacionais, e das nações, dão-se através de personalidades públicas, ou grupos partidários, que foram cooptados ou aderiram às estratégias do capital rentista.

Aos olhos dos povos tornou-se difícil distinguir matizes programáticas antes óbvias, salvo determinadas posições sobre assuntos pontuais que não ameaçam a hegemonia do capital rentista e às vezes fazem parte da sua “agenda social global”.

Mas é crescente a insubordinação mundial contra os efeitos terríveis da globalização financeira, como agora no Brasil vítima de um golpe que “emponderou” o governo Temer sob a proteção da grande mídia e estamentos identificados com o Mercado.

Que desejam criminalizar a única forma da sociedade participar dos destinos da nação, a via política democrática, assim como as conquistas sociais, trabalhistas, promover o desmonte estatal e privado, anular o protagonismo do País conquistado em décadas, como liderança global de porte médio.

Estudo divulgado no El País, maior jornal espanhol, indica que o Brasil em 2050 será a quinta economia global depois da China, Índia, EUA, Indonésia, pela ordem.

É uma conclusão que provoca insônia entre as nações mais ricas, ou seja, das grandes economias quatro delas serão de Países emergentes em poucos anos, inclusive o Brasil.

Assim, por posição estratégica, extensão continental, imensas riquezas, população, capacidade industrial, originalidade civilizacional e cultural, é certo constatar que a onda autoritária, antinacional que vivemos é temporária, menor que o País e o seu futuro, desde que tenhamos como norte a centralidade da questão nacional e os direitos do povo brasileiro.

quinta-feira, 9 de março de 2017

O que está em jogo

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É impossível entender o que acontece no Brasil se abstrairmos a geopolítica global, o processo de desconstrução de alguma coisa parecida com um projeto de Estado e a centralidade da questão nacional.

Porque o que se vem intentando é a total submissão do País ao Mercado financeiro, aos interesses estratégicos do EUA, por mais complicado que seja após as eleições presidenciais norte-americanas.

Além do alinhamento incondicional à ortodoxia neoliberal, que já não é praticada sequer nos EUA, grande parcela das elites brasileiras formada numa visão de subalternidade e dependência da nação, adotaram a política de completa subordinação ao capital financeiro, ao rentismo mundial.

O que assistimos no Brasil desde 2013 tem sido uma cortina de fumaça, com o apoio da grande mídia empresa associada ao Mercado financeiro, com o objetivo de sustar o ativo papel do Brasil nas relações multilaterais, no teatro da geopolítica mundial.

Para tanto fabricou-se uma “revolução colorida” como as que foram encetadas em várias partes do mundo, adequada às particularidades de um País de dimensões continentais, com um parque industrial complexo, uma população que supera duzentos milhões de habitantes, uma massa crítica intelectual desenvolvida, riquezas naturais imensas.

Busca-se retroceder o protagonismo do País, construído em décadas, a modernização implementada nas conquistas sociais do trabalhadores, destruir o parque industrial, comercial, empresarial, seja estatal, como a Petrobras, ou privado, desde que tenha relevância interna ou mundial.

A fragmentação do tecido social fomentada por tempestades de ódios difusos é uma rotina numa época em que é decisiva ampla unidade contra a globalização financeira neoliberal.

O Mercado vem procurando demonizar a crescente insubordinação dos povos contra as catastróficas resultantes da globalização financeira, da acumulação rentista em escala nunca antes vista, além da bancarrota dos Estados nações e respectivas sociedades.

À oposição ao governo Temer, e tudo que ele representa econômica, social, politicamente, também é essencial o combate aos que desejam conduzir o País à total subalternidade econômica e geopolítica. É fundamental ao povo brasileiro a união em torno de um projeto nacional, democrático de desenvolvimento estratégico e soberano.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A crise da crise

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Uma das maiores neuras, na atualidade, da grande mídia hegemônica nativa, além da profunda crise que corrói o governo Temer, é a onda de notícias falsas divulgadas nas redes sociais.

Em relação às noticias falsas, fake em inglês, idioma que tem avançado tremendamente nos últimos anos sobre o patrimônio linguístico e riquíssimo do português brasileiro, dizia o escritor prêmio Nobel de literatura José Saramago, esse assunto, o dos fakes, tem mexido com os nervos da grande mídia empresa monopolista.

A grande mídia está perdendo o protagonismo de criar suas próprias versões sobre os rumos do País. Sim, porque o monopólio midiático associado ao Mercado financeiro deixou de ser imprensa que informa, mesmo que parcial e de grupos.

Essa mesma mídia passou a ser um dos centros definidores de poder no Brasil. Mas as notícias falsas, ou fakes, plantadas nas redes sociais por robôs digitais, estão se transformando em sérios concorrentes ao seu papel ideológico onipresente que produz suas próprias realidades. O feitiço volta-se contra o feiticeiro.

Já se disse que na luta pelo poder em tempo real, e não virtual, em qualquer parte do mundo, uns ganham e outros perdem. E quando algum campo político perde é porque outros atores ganharam, já que nos jogos de poder não há variações ilimitadas.

Com a deposição da presidente Dilma através de articulação do monopólio da informação, do Mercado financeiro, grupos adversários do patrimônio nacional, entronizaram no poder Michel Temer que adotou política econômica, desmonte das conquistas trabalhistas, catastróficas, diluvianas.

Rejeitado em grandes manifestações de rua que pipocaram no carnaval, o governo Temer transformou-se numa ponte para o caos, o nada. Há sinais de que o Mercado, grupos políticos, a grande mídia, desejam descartá-lo. Só não sabem exatamente como substituí-lo e por quem. Ainda.

O País que vive grave quadra institucional, econômica, social, entra em novos dias turbulentos. A crise dos poderes da República é dramática. Uma nação continental com imensas riquezas, vasto potencial industrial perigosamente à deriva.

Urge uma frente política ampla que aglutine as grandes maiorias sociais em torno de um projeto nacional de desenvolvimento estratégico, democrático e soberano que reverta o cenário em que se encontra a nação.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Pós-verdade

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Um dos fenômenos mais lúgubres destes tempos atuais é a onda da chamada pós-verdade cultuada como uma nova manifestação do pensamento humano.

A pós-verdade é porém a relativização da realidade objetiva em todos os sentidos, circunstâncias e em qualquer aspecto.

Mas, no entanto, trata-se de um conceito que tem origem e propósito definido, reflete uma tendência imposta através da hegemonia das ideias pela grande mídia empresa, intimamente associada ao mercado financeiro global.

Um dos maiores difusores da pós-verdade tem sido o megaespeculador do Mercado financeiro George Soros com o livro “A Era da Falibilidade” e fundações como a Open Society que agem abertamente contra a soberania dos povos via chamadas “Revoluções Coloridas”.

Para quem nada é real e tudo é permeável a qualquer “verdade” conforme o gosto e o interesse de grupos. Porém quem determina efetivamente o que deve ser e o que interessa ser relativo, posto em múltiplas dúvidas, onde jamais se chega a conclusão nenhuma, é o grande centro difusor ideológico de uma ditadura do pensamento único, ligado a uma governança mundial do capital financeiro.

De certa maneira é um desdobramento invertido do conceito de Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, que dizia: é preciso repetir uma mentira de forma tão exaustiva e intensamente que ela se transforme em realidade junto à opinião pública.

A pós-verdade é a prevalência das “tempestades de emoções turbinadas” na análise dos fenômenos sociais e políticos, em detrimento da realidade objetiva, ou seja, todos têm razão e ao mesmo tempo a verdade não se encontraria em lugar nenhum.

Assim a confusão geral semeia e permite o exercício da hegemonia do poder pelo capital financeiro, o Mercado.

Já ao Brasil atual de Temer, que se encontra à deriva, noves fora pós-verdades viralizadas diuturnamente em todas as mídias, a única alternativa à grave crise política e econômica, estrutural, é a constituição de um projeto estratégico de desenvolvimento com base democrática, no protagonismo do Estado nacional e a união das grandes maiorias sociais.

Os Países de porte continental como o nosso, riquezas materiais abundantes, vasto lastro cultural, papel geopolítico Histórico, que constroem uma política soberana, estão trilhando essa opção incontornável. Não há outro caminho.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Cenário crítico

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Mergulhado em uma crise política gravíssima o País vê-se às voltas com uma estratégia econômica conscientemente recessiva cuja justificativa central, alegam, tem sido manter a inflação em baixa.

Com isso aprofunda-se a paralisia do desenvolvimento nacional, avança o desemprego e surgem os óbvios sinais de uma séria crise social que já se reflete na situação dramática da segurança pública nos Estados da federação.

Mas esse cenário deve se alastrar, infelizmente, para outros setores como saúde pública e educação, a paralisia nos investimentos em projetos de infraestrutura etc., em decorrência da aplicação pelo governo federal de uma política econômica conservadora e neoliberal cujas consequências em todo mundo mostram-se catastróficas e repudiadas por todos os lados.

Na verdade aplica-se a linha econômica dos governos Fernando Henrique Cardoso mas em um contexto histórico muito mais dramático, numa crise estrutural global e sistêmica do capitalismo iniciada em 2008 nos Estados Unidos e que depois alastrou-se pelo mundo.

Sem estratégias de qualquer espécie, o Brasil encontra-se como uma nau a vela dos tempos antigos: paralisada em meio a uma escassez de ventos que a impulsionem. A única coisa em movimento é a remuneração do capital financeiro que apresenta lucros recordes nos balanços publicados.

Sem protagonismo geopolítico regional ou global o Brasil vive um estado de torpor. Mostra-se em processo de regressão, de catatonia política.

As linhas monetaristas adotadas pelo governo Temer assemelham-se às do início do período das políticas neoliberais da década de 70 do século passado, das iniciativas neoliberais do presidente Ronald Reagan e da primeira ministra britânica Margaret Thatcher.

Mesmo assim mostram-se farsescas, como se fossem réplicas do auge das linhas gerais do liberalismo recauchutado que pontuou o final do século XX.

Onde se proclamava, hegemonicamente, através dessa mesma grande mídia atual, que a economia resolve por si própria todas as questões. Quem atrapalha é a intervenção do Estado nas relações institucionais ou nas políticas financeiras.

Como disse André Araújo “estão praticando um economês de quitanda... vamos chegar ao pico da crise com uma inflação na meta e a nação em crise social, à beira da guerra civil. Exemplo de miséria em País rico”.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A crise

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As informações demonstram que a economia global pode estar se aproximando de um novo e mais elevado estágio da crise financeira mundial.

Os setores dinâmicos da produção, como a indústria, continuam em forte processo de estagnação, enquanto os ativos monetários estão sendo usados para socorrer os bancos, especialmente aqueles na área de “investimentos”, o que vale dizer para aplicações financeiras de curto prazo, do capital rentista.

O Brasil, assim como a América Latina, vem sendo conduzido a um novo estágio de subalternidade em sua dinâmica econômica, a partir de uma orientação política para esse fim que é, em última instância, quem na verdade dá os rumos ao processo econômico em qualquer País do mundo.

Enquanto em meio a essa crise global assistimos, desde 2008, novos jogos de guerra com invasões armadas, especialmente pelos Estados Unidos, cujos objetivos mais evidentes são a disputa por matérias primas, destacadamente o petróleo, a ocupação de espaços geopolíticos, há uma uma nova reconfiguração internacional rumo à multipolaridade que caminha a passos mais rápidos que se imaginava há alguns anos atrás.

Mesmo com os incentivos ao complexo industrial militar durante as últimas administrações da Casa Branca, de Clinton à família Bush, passando ao governo Obama, a economia dos Estados Unidos continua em situação catastrófica apesar dos intensos esforços dos comentaristas econômicos da grande mídia associada ao capital financeiro.

Mas o fato é que torna-se óbvio o enfraquecimento da economia dos EUA na medida que seu déficit na balança comercial atinge, desde 2000, 8,6 trilhões de dólares, sendo que o total chega a 10,5 trilhões de dólares.

Não há como entender as últimas eleições presidenciais norte-americanas, abstraindo a decadência industrial, o desemprego em massa, casas hipotecadas, a desesperança do cidadão comum dos EUA.

Ao tempo em que a Europa patina num caos político imprevisível, o Brasil atravessa grave crise multilateral com a hegemonia das políticas neoliberais do Mercado no País.

É um cenário assemelhado à crise capitalista de 1929, a ascensão nazifascista, a carnificina da 2a Guerra Mundial. Assim, para nós brasileiros é fundamental a retomada da economia produtiva, a defesa intransigente da paz, das liberdades democráticas e da soberania nacional.