quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A nação

Meu novo artigo semanal:


Torna-se cada vez mais evidente a crescente perda da soberania nacional frente ao interesses do capital financeiro especulativo e organismos internacionais a ele subordinados.

O conceito da inserção do Brasil na economia globalizada exige, ao contrário do discurso liberal, ou o neoliberal dos tempos atuais, a soberania efetiva do País em todos os níveis.

Para tanto, é fundamental um projeto estratégico de nação que oriente e aponte rumos ao desenvolvimento econômico, investimentos em infraestrutura, ciência e tecnologia, educação fundamental e superior etc.

Que indique rumos na política exterior conforme os interesses nacionais, na defesa de uma ordem mundial mais solidária, compartilhando junto aos BRICS e demais Países do planeta, uma nova etapa da humanidade mais justa, menos desequilibrada e agressiva, violenta mesmo.

Mas para isso o Brasil precisa superar o atual estágio de déficit geral em sua soberania que tem sido crescente e pautado através da grande mídia hegemônica associada ao capital rentista, além de um discurso acadêmico que promove a capitulação do sentimento de identidade nacional em vários aspectos da vida social.

A subordinação, dependência aberta aos jogos das finanças internacionais espalha-se através de uma visão ideológica, faz-se presente na vida diária como uma espécie de negação das nossas permanências e necessidades de renovações, fragmentação do espírito de pertencimento a um povo inventivo, de singular tradição cultural, que habita um território continental, o quinto maior do planeta, uma população de mais de 200 milhões de habitantes em uma economia que é a sétima do mundo.

O governo Michel Temer, rejeitado por mais de 95% dos brasileiros, é parte desse processo de desconstrução da herança e das bases reais das nossas conquistas Históricas.

Mas que vem já de algum tempo, possui múltiplos aspectos, variadas versões em matizes ideológicos, aparentemente distintos.

Assim é que surge em seminário, realizado em Minas Gerais, a ideia de mudar as cores e dizeres da bandeira brasileira por figuras da grande mídia, como se nossas referências simbólicas pudessem ser modificadas ao sabor dos modismos de ocasião.

Torna-se incontornável um projeto estratégico de desenvolvimento, que devolva ao brasileiro o caminho de progresso, a confiança no futuro.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Desafio

Meu novo artigo semanal:


Nas condições atuais em que a hegemonia global do capital financeiro age de forma agressiva contra a nação, com vistas à sua desconstrução econômica, financeira, industrial, avança sobre sua integridade territorial, investe contra nossa formação cultural e civilizacional, massacra os direitos dos trabalhadores, conquistados há mais de meio século, torna-se premente a defesa do Brasil e do povo brasileiro.

Essa enorme tarefa, dadas as circunstâncias atuais extremamente graves, exige, através da ação política, enorme esforço para aglutinar os mais amplos segmentos da sociedade brasileira em torno de um projeto nacional.

Que possibilite rechaçar a ofensiva brutal contra o País, a defesa do Estado nacional, que só tem sentido de existência quando subsiste o espírito de pertencimento de um povo em torno do seu contínuo Histórico, incorporando aqui as suas permanências culturais e as renovações imprescindíveis.

Ao desenvolvimento em perspectiva ao seu presente e futuro como povo e civilização original que, em meio a profundas contradições e paradoxos sociais, legou-nos a tarefa do prosseguimento em busca de um futuro independente, socialmente mais justo.

Essa é uma empreitada que necessita a abrangência de amplos setores que compõem a complexa sociedade nacional, dos trabalhadores, força incontornável nesse processo, a indústria, agricultura, forças armadas, os cientistas e pesquisadores que conseguem, apesar dos pesares, enormes avanços em todas as áreas dos ramos do conhecimento, agregando-os às realizações tecnológicas.

O investimento em educação básica e superior é fundamental para que o Brasil supere o atual cenário pantanoso em que se encontra afundado, em um período trágico da sua História contemporânea que se expressa no fatídico governo Temer.

Em qualquer nação do planeta as contrafações da luta política incluem doses de pragmatismo na ação. É parte da vida e da própria atividade política, hoje criminalizada com vistas à substituição da via democrática por fantoches a serviço do capital rentista, excluindo a sociedade na participação do seu destino.

Mas a Grande Política tem como pressuposto central a construção de rumos em defesa do País, das grandes maiorias sociais, a democracia, o desenvolvimento econômico, ou patinhamos no charco. Esse é nosso grande desafio.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A Nova Ordem

Meu novo artigo semanal:


O Brasil encontra-se efetivamente sob intenso ataque do capital financeiro especulativo internacional, que interfere diretamente nos assuntos referentes à soberania do País, às conquistas trabalhistas adquiridas ao longo da História, no butim das riquezas naturais, no desmonte do parque industrial especialmente dos setores de ponta do processo produtivo como a Petrobrás etc.

O que nós estamos vendo é a tentativa da recolonização da nação sob a égide do capital financeiro, tendo em conta objetivos estratégicos, visto que trata-se de impedir o protagonismo no cenário geopolítico do quinto maior país do planeta com dimensões continentais, integrante do grupo dos BRICS.

O capital rentista através de seus instrumentos de governança mundial, entre eles a grande mídia hegemônica, associada aos seus intentos de poder e cooptação, vem promovendo, particularmente no Brasil, ações com vistas a uma “revolução laranja” como na Ucrânia, ou às “primaveras árabes”, objetivando a fragmentação da sociedade brasileira, onde as questões relativas à soberania cultural, política e diplomática do País são varridas para debaixo do tapete.

E em seu lugar emerge uma agenda diversionista alheia à nossa formação antropológica, a promoção do ódio e dissenções generalizadas, baseadas na premissa de um contra todos e todos contra qualquer um, desde que não se promova um projeto de nação desenvolvida que unifique o povo brasileiro em torno de objetivos comuns.

A ideia é a desorientação geral através de uma agenda pós-moderna que afaste o contínuo histórico cultural e civilizacional da sociedade e em seu lugar imponha um internacionalismo de opereta e falso, ao estilo do mega especulador George Soros em seu livro “A era da falibilidade” onde descreve suas ideias de um mundo pós-moderno e sem fronteiras tendo em vista a dominação global do rentismo mais predador.

A desestabilização das instituições republicanas, a miséria política e intelectual em que estamos metidos é parte de um processo de agressão ao País com destacado papel da grande mídia associada ao capital financeiro. Não são fenômenos isolados mas ações combinadas.

Só a união das grandes maiorias sociais em torno de um projeto nacional que indique os rumos democráticos, de desenvolvimento soberano, poderá apontar novos caminhos ao Brasil.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Truculência

Meu novo artigo semanal:


Diz uma colunista da grande mídia hegemônica que a notícia sobre a rejeição da segunda denúncia contra o desacreditado e carcomido presidente Michel Temer foi recebida com enfado na Faria Lima e adjacências, com um testemunho de um de seus representantes: deixe-nos trabalhar em paz, é só isso que queremos.

Ora, mas são os representantes do capital financeiro quem têm conduzido a nau dos insensatos levando o País ao fundo do poço onde se encontra, associados à grande mídia global, em um frenesi irrefreável, responsáveis pelo non sense reinante nas instituições republicanas onde medíocres como Michel Temer dão as cartas no jogo institucional esquizofrênico que impera no Brasil.

Os senhores do capital especulativo, seus executivos engravatados com ternos, camisas, sapatos importados, de grifes famosas, são os que lucram com essa miséria intelectual e política em que nos encontramos.

O que se traduz das afirmações dos representantes do rentismo é que Temer ultrapassou todos os limites “aceitáveis” de impopularidade para um presidente da República, mesmo sendo um marionete de quinta categoria como ele efetivamente, realmente tem sido.

O país encontra-se literalmente à deriva, à mercê do mais predador capital especulativo existente e de um governo cuja pauta é a destruição das mais elementares conquistas trabalhistas adquiridas desde a era de Getúlio Vargas, asseguradas há mais de meio século.

Fernando Henrique Cardoso quando assumiu seu primeiro mandato presidencial declarou que sua grande tarefa era destruir o legado de Getúlio e introduzir o projeto neoliberal no País. Mas as condições políticas, a correlação de forças à época, fizeram com que só conseguisse realizar em parte o seu intento.

A existência desse Temer deve-se à tentativa da entrega descarada dos ativos financeiros, riquezas naturais, destruição dos direitos sociais mesmo em uma sociedade primitivamente civilizada.

É um governo de extrema truculência, a serviço do capital especulativo, elevado ao poder via corporações messiânicas, grande mídia hegemônica, contrários a um projeto de País soberano.

Apesar de 95% de rejeição, em 2018 ele será substituído por um sósia qualquer se não existir ampla união em defesa da nação, sem exclusivismos táticos eleitorais, desprovidos dos mais elevados interesses nacionais.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Sociedade dos dissensos

Meu novo artigo semanal:


No final do século XX o velho diário londrino The Times publicou o comentário de que “há um grupo de homens mais ricos, poderosos e influentes do Ocidente que sempre se reúnem para planejar eventos que, depois, simplesmente acontecem”.

Essas reuniões, reservadas, podem ter nomes distintos mas agrupam a elite financeira mundial, em alguns casos com a participação de personalidades de áreas das ciências, exatas ou humanas, além de magnatas da mídia global.

Esses eventos e alguns menos importantes, mais abertos, badalados através da grande mídia internacional, representam o grande poder do capital financeiro.

Eles não são eleitos por ninguém em canto algum do mundo, mas definem a agenda financeira, política e social do planeta, à exceção de um reduzido número de Países que adquiriram condições para ditar suas próprias estratégias geopolíticas e neutralizar, em parte, as ações da seleta elite global financeira.

Indivíduos, como o mega especulador George Soros com suas ONGs, a exemplo da Open Society, difundem com o auxílio da grande mídia global as narrativas econômicas, financeiras, geopolíticas e sociais que parecem surgir nas sociedades ocidentais como “fenômenos naturais, espontâneos”.

Mas nada existe nas sociedades ao acaso, como se fosse uma equivalência à falsa teoria de Lamarck sobre a geração espontânea de certos animais. Tudo é fruto de interesses de grupos, de contradições, antagônicas ou não, nos segmentos sociais ou entre nações.

A hegemonia do capital rentista passou a exercer o domínio das políticas globais, numa escala jamais vista, em quase todas as esferas, procurando ditar as agendas que melhor lhe proveem, utilizando-se sempre do velho jargão imperial “divide et impera”.

O País é alvo destacado, pelas dimensões continentais, riquezas naturais, econômicas e população, de tal estratégia, como nas “Primaveras Árabes”, via fragmentação, “tribalização” dos estratos sociais mais aptos à ação consciente, enquanto o Brasil real das grandes maiorias dos 210 milhões de indivíduos fica à margem dos destinos da nação. É a sociedade dos dissensos.

O único antídoto a essa agenda maligna é a defesa da nação, do seu patrimônio físico, da sua identidade cultural, através de uma ampla política de união nacional, pela soberania e o desenvolvimento do Brasil.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O plebiscito

Meu novo artigo semanal:


Hoje em dia está claro que grande parte das tempestades de ódios e dissensos que vêm corroendo a sociedade brasileira provém de notícias viralizadas através da grande mídia nativa que por sua vez as retransmite da mídia global. Tanto uma como a outra encontram-se associadas aos interesses do capital financeiro, aos objetivos estratégicos de potências mundiais.

Mister Obama pousou suavemente em São Paulo, cobrou milhares de dólares a quem desejava assistir sua palestra e partiu olimpicamente, como se fosse um vestal do bom senso, sem uma crítica ao que disse, a favor ou contra. Mas ele foi responsável por muitas das guerras sangrentas que persistem até hoje após seus mandatos presidenciais, com Hillary Clinton responsável pela política exterior dos EUA.

Ninguém sabe pela grande mídia o que disse o ex-presidente norte-americano, se é que ele disse algo relevante. Se afirmou alguma coisa sobre as agruras de um planeta visivelmente atormentado, de que ele é em grande parte responsável, ninguém entendeu.

E como nada disse à mídia hegemônica, não viraliza nas redes sociais. Obama teve participação decisiva nos episódios que culminaram na queda de Dilma Rousseff. Mas Obama veio e foi embora sem admoestações de qualquer espécie, como se fosse um monge zen.

Já o plebiscito sobre a Catalunha, ao contrário de Obama, não para de ser notícia. Essa mídia global pauta a questão catalã como se fosse uma polêmica entre democracia versus nação. Desse jeito.

Como se a polêmica não implicasse nas razões Históricas da formação e vicissitudes do povo espanhol, nas manobras financeiras e os interesses da OTAN na Catalunha fossem desconhecidos por todos. Os espanhóis seriam apenas europeus.

Mas o que deseja a mídia hegemônica é propagar aos quatro ventos a tese do separatismo como uma nova agenda “pós-moderna” e assim abrir espaços no mundo e no Brasil na crise multilateral e profunda em que se encontra, para o pior dos sentimentos, desejos inconfessos de grupúsculos no País.

Gabriel Garcia Márquez disse que Simon Bolívar, o Libertador, em sua luta vitoriosa contra o colonialismo na América espanhola, frente à torpeza de alguns de seus liderados, acabou sem uma pátria pela qual morrer. Afora os desterrados, não existe democracia ou democratas sem uma pátria para exercê-la, assim, no abstrato.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O futuro

Meu novo artigo semanal:


O mais danoso dos males com a Nova Ordem global, o Mercado financeiro, que capturou de forma hegemônica múltiplas organizações internacionais, tem sido a ditadura do pensamento único que se expressa através de conceitos do chamado “politicamente correto”.

O exercício desse poder, com uma mão de ferro, é extremamente perigoso porque invisível, não tem sede nem é eleito pelo voto de nenhum cidadão do planeta e transformou-se em um tipo de autoritarismo sem precedentes na História contemporânea. Seria o sonho do Reich dos mil anos que Hitler pensou mas não conseguiu executar em decorrência da tenaz resistência dos povos durante a 2a Guerra Mundial.

Tal projeto exerce-se via grande mídia que impõe diuturnamente uma profusão de conceitos e versões sobre os fenômenos políticos e sociais coadunados à agenda do Mercado e seus interesses de rapina.

O objetivo é a ruptura das identidades nacionais, a criminalização das formas de enfrentamento ao rentismo canibalesco, a divisão das sociedades em grupos que competem uns contra os outros, a dissociação do bem comum que caracteriza o sentimento de pertencimento e identidade a uma comunidade nacional.

Instalou-se o individualismo mais pragmático de grupos ou subgrupos contra os demais segmentos sociais que não expressam os seus próprios interesses corporativos, constituindo-se “bolhas” de tribos atomizadas desprovidas de valores mais avançados de uma comunidade.

A desconstrução dos instrumentos constitutivos do Estado nação tornou-se uma prática corriqueira visando quebrar as formas que a sociedade entende como referência para a sua representatividade, criminalizando-as, visando torná-las abomináveis aos olhos da população.

A crise estrutural brasileira é parte desse intuito macabro, enquanto o patrimônio nacional, estatal e financeiro, é dilapidado brutalmente.

Só a reconstrução das estruturas republicanas sob novas bases podem apresentar outro rumo ao País e à própria democracia, desfigurada, faz um bom tempo, para além da ópera bufa do governo Temer.

O Brasil necessita urgentemente de novos caminhos que só podem surgir através de um tipo de estadismo e um projeto de nação que dê protagonismo e sentido fundamentais a um grande povo que tem todas as condições de cumprir o seu destino de sociedade original, solidária e soberana.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Verdades

Meu novo artigo semanal:


O comediante norte-americano Groucho Marx (1890-1977) celebrizou-se, além de suas atuações no cinema, por suas frases de efeito que contrariavam o óbvio, como por exemplo: “você vai acreditar em mim ou no que os seus olhos veem ?”.

Hoje em dia, na ausência de caminhos que ajudem a aglutinar os anseios e contribuam na organização de projetos concretos às grandes maiorias sociais, que estão submetidas a intenso bombardeio ideológico-midiático através da grande mídia global, associada ao capital financeiro, à governança mundial, aumentou a relativização na interpretação dos fenômenos sociológicos, políticos, históricos, culturais etc.

Ou seja, o que é real, efetivo e concreto virou algo condicionado ao que lhe interessa, ou ao seu grupo de pertencimento, sua corporação etc. Assim, tudo é relativo. A essa espantosa regressão científica chamam, entre outros apelidos, como a pós-verdade.

É evidente que em determinados campos da ciência essa ideia simplesmente não funciona, porque há a exigência da comprovação, na realização do objeto, tal como ele é proposto em teoria.

Porque no novo milênio, com a revolução tecnológica digital, a integração contínua das pessoas através dos celulares avançados, constituiu-se incrível hegemonia da informação midiática, que é disseminada em tempo real e imediatamente viralizada em palavras, sons e imagens.

Daí a frase “você vai acreditar em mim ou no que os seus olhos veem ?” foi invertida para: “você deve acreditar no que as mídias sociais divulgam, pelo menos nas próximas horas, até que novas outras verdades possam ser anunciadas”.

Nesse contexto é que foi possível a promoção das chamadas “Primaveras Árabes” que se espraiam pelo mundo e, na América Latina, destacadamente no Brasil. A essa nova forma de agressão aos povos chamam de Guerra de Quarta Geração.

O que o capital financeiro, a governança global, as grandes potências se propõem no Brasil não é a radicalização da democracia, ou a democratização da informação, mas a ditadura na forma de um pensamento único, a fragmentação do tecido social, a apropriação das riquezas financeiras e naturais do País, fraturar o espírito em comum dos cidadãos.

Por isso é vital a defesa da nação ameaçada, o fortalecimento da união do povo brasileiro, da democracia, frente a tremendos desafios Históricos.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A encruzilhada

Meu novo artigo semanal:


O País vive uma encruzilhada Histórica que não surgiu de repente e muito menos caiu do céu como uma praga dos deuses contra uma nação continental, herdeira de um processo civilizatório original, próprio ao nosso itinerário singular e riquíssimo.

A partir do século XXI a globalização financeira intensificou uma ofensiva contra os Estados, sim, porque grande parte das nações do então chamado terceiro mundo, mesmo que tenham alcançado a independência formal, não conquistaram a soberania econômica, política etc.

O processo da globalização financeira dispõe, além das guerras de rapina em várias regiões do planeta, de instrumentos tão eficazes como o uso das armas. Trata-se da guerra de ideias via complexos midiáticos que atingem o conjunto das sociedades como se fossem potentes artefatos que visam pulverizar as identidades e a vontade dos povos.

O Brasil tem sido alvo qualificado por ser uma nação continental consolidada, uma das cinco maiores do mundo, com riquezas estratégicas e possuir papel geopolítico global incontornável, a não ser que a sociedade seja fragmentada, abatida em sua identidade, pilar central da nacionalidade.

O processo da quebra do parque industrial brasileiro já vem de décadas, as pressões contra os investimentos em ciência e tecnologia são tremendas, a crise na educação é retrato da falta de qualquer projeto de longo curso com a força de trabalho e a ausência de um plano estratégico de desenvolvimento do País.

O que o capital rentista e a governança mundial que a ele serve buscam é a recolonização física do País e a mental da sociedade através de uma agenda global que abdica de pensar e construir um pensamento que aglutine os brasileiros em torno de uma perspectiva de progresso e independência efetivos.

A gravíssima crise que sacode as instituições republicanas, alicerces da nação, é resultante de todo esse colonialismo econômico, dependência mental a uma agenda social do ódio, de todos contra qualquer um e de qualquer um contra todos, dirigida pela grande mídia, ao sabor dos interesses estratégicos de nações contrárias ao protagonismo do Brasil.

O País necessita de uma política maior de Estadismo democrático, que recupere o equilíbrio perdido, de novos rumos à altura do seu potencial geopolítico, das justas aspirações da sociedade brasileira.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Alagoas 200 anos

Meu novo artigo semanal:


A comemoração do bicentenário da independência de Alagoas é de grande importância em um Estado da federação que, apesar de penúltimo em dimensões físicas, possui marcante contribuição cultural, artística, política ao País.

Em seu itinerário mostrou-se capaz de afirmar-se na permanência das tradições, aliada às renovações, apesar das diferenças econômicas e sociais abissais, herdadas ao longo dos tempos.

E que continuam a exigir desafios de superações por uma economia mais desenvolvida, sustentável, diversificada, junto às vicissitudes de crescimento econômico da região nordestina em relação ao Sul, Sudeste do País, além da atual recessão que atinge a nação, consequência de uma política econômica subordinada aos ditames do Mercado financeiro.

Alagoas sempre caracterizou-se pela firmeza na defesa da unidade nacional. É esse o seu maior legado ao longo da História do Brasil, marca de protagonista em tempos decisivos da nossa pátria.

A contribuição de Alagoas no âmbito nacional é desproporcional à sua dimensão territorial e continua causando em áreas intelectuais, acadêmicas, visões maniqueístas numa interpretação vulgar da História brasileira.

Além de análises distorcidas da sinuosa formação, consolidação de um País que mantém, apesar de vários conflitos separatistas, das tentativas em desconstruí-lo política, social, fisicamente, a inteireza continental, o protagonismo geopolítico global. Como o atual governo Temer, subproduto primário do Mercado financeiro, messianismos corporativos, interesses geopolíticos internacionais escancarados.

Alagoas legou ao Brasil Floriano Peixoto, consolidador da República, personalidades públicas, ministros, intelectuais militantes como Otávio Brandão, músicos populares, eruditos como Hekel Tavares, grandes mulheres como Nise da Silveira, poetas como Jorge de Lima, Graciliano Ramos genial escritor regional-universal, marca de sobriedade, aversão a bairrismos e rigor realista que definiu a alma do alagoano, o nordestino. E tantos mais.

A comemoração pelo governo do Estado dos 200 anos de Alagoas, em uma época que nega o contínuo Histórico às novas gerações é iniciativa louvável, com jovens artistas, música clássica, grupos de tradições populares, debates etc. Como disse Tolstoi, se queres ser universal, começa a pintar a tua aldeia.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Valor inestimável

Meu novo artigo semanal:


No 7 de setembro, a comemoração da independência do Brasil reveste-se de um valor inestimável. Só quem continua a lutar pela libertação da sua pátria, em algumas partes do mundo, sabe o significado de se ter a sua terra livre da escravidão colonial ou neocolonial.

Na hegemonia do Mercado financeiro rentista, existe uma intensa tentativa de se constituir entre as novas gerações um desdém, quando não aversão, ao espírito de pertencimento a um povo, uma nação livre e soberana.

E, em seu lugar, a falsa ideia de que todos somos cidadãos globais, que essa ideia de pátria, território, identidade cultural é coisa ultrapassada.

O bombardeio da grande mídia hegemônica, associada ao capital financeiro especulativo, à sua governança mundial, busca desconstruir o sentimento nacional entre a população, anular o espírito comum de brasileiros.

Na verdade, a única globalização é a do Mercado rentista que avança sobre as riquezas dos povos, seus ativos financeiros, indústrias, estatais estratégicas, a própria integridade territorial.

Os patrimônios culturais inestimáveis das nações, como no Brasil, são tratados com absoluto desdém, quando não combatidos agressivamente para repor em seu lugar uma ideologia desse próprio Mercado, pasteurizando gostos, consumo, conceitos, movimentos, todos difundidos através das mídias hegemônicas que fazem parte dos interesses e projetos da globalização financeira, na maior ofensiva de alienação coletiva em todos os tempos.

Parte da intelectualidade, inclusive acadêmica, encantou-se, de uma forma ou de outra, pelos desígnios do Mercado e sua ideologia, enquanto outra falsa “intelectualidade” é produzida nos laboratórios dos centros “globais” e vendida como referências politicamente corretas dos tempos contemporâneos, assimilada de forma absolutamente acrítica.

Confundem propositalmente a importância da cultura universal, da qual devemos incorporar todas suas contribuições inestimáveis, com a massificação mercantilizada, colonizada das sociedades, de forma criminosa.

José Bonifácio, arquiteto e patriarca da independência do Brasil, gênio de sua época, sempre buscou construir uma espécie de cimento que desse sentido à reunião e um propósito coletivo aos brasileiros. Hoje, mais que nunca, essa luta continua na ordem do dia como resistência inadiável.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A reserva mineral

Meu novo artigo semanal:


A liberação pelo governo Michel Temer de uma reserva mineral na Amazônia, entre os Estados do Pará e Amapá, Reserva Nacional do Cobre e Associados (RENCA) que tem as dimensões do estado do Espírito Santo, transformou-se em uma polêmica internacional.

Como todas as iniciativas desse governo estão vinculadas aos interesses do Mercado, contrárias à soberania nacional, ao patrimônio estatal estratégico, com abate das garantias trabalhistas históricas, esse decreto, provisoriamente sustado pela justiça federal, também merece o contundente repúdio do povo brasileiro.

Porque o que está em curso é mais um dos grandes negócios de lesa pátria que já viraram banais na gestão Temer. Ao lado desse clamor contra a liberação para exploração da reserva RENCA existem outras questões seríssimas, porque trata-se de uma área riquíssima em outros minerais além do cobre, ouro etc.

Existe a imperiosa necessidade da preservação de todo um ecossistema, incluindo as reservas indígenas na região. Porém, ao lado da polêmica internacional e nacional há igualmente os costumeiros movimentos de certas ONGs globais, associadas aos objetivos estratégicos do Mercado financeiro e mais especificamente às políticas para a Amazônia brasileira por grandes potências mundiais.

Várias ONGs estão a serviço de grupos financeiros, determinadas nações como a Grã-Bretanha e outros Países, difundem uma espécie de fundamentalismo ambiental sectário, atraem os incautos, mas pretendem a internacionalização da Amazônia brasileira, suas riquezas estratégicas que incluem vários minerais nobilíssimos e o domínio da maior reserva aquífera do planeta.

Para essas ONGS internacionais e filiais nativas não há a palavra soberania nacional, a combinação científica e sustentável do ecossistema com a exploração criteriosa dos incalculáveis recursos minerais da região em prol dos interesses do País, da sociedade brasileira.

É falsa a ideia de que a Amazônia é um santuário global intocável. Esconde objetivos geomilitares expansionistas de grandes potências, vide documentos públicos conhecidos, tanto como não há preocupação estratégica com a Defesa Nacional da região. É o caso do governo antinacional, antissocial de Michel Temer. Assim, na defesa da Amazônia o que está em jogo é a sobrevivência do Brasil como nação soberana.